Advogado contrário à delação premiada assume defesa de deputado afastado Rodrigo Rocha Loures

Foto: Câmara dos Deputados / Brizza Cavalcante

Foto: Câmara dos Deputados / Brizza Cavalcante

Um jurista que tem se posicionado contra a delação premiada, a favor do presidente Michel Temer e chegou a classificar como “armadilha travestida de ação controlada” os flagrantes produzidos com a ajuda de executivos da JBS é o novo advogado do deputado afastado Rodrigo Rocha Loures, do PMDB do Paraná. Cezar Roberto Bitencourt, que atua em Brasília, assume o lugar de José Luiz de Oliveira Lima, conhecido como Juca, que anunciou a saída do caso nesta segunda-feira (29), por “impedimentos éticos”.

O novo advogado foi contratado para defender Rocha Loures na investigação em que ele suspeito de corrupção passiva, lavagem de dinheiro, obstrução de justiça e organização criminosa. Rocha Loures foi flagrado recebendo uma mala com R$ 500 mil em propina paga pela JBS. A expectativa era de que Rocha Loures confirmasse a intenção de firmar um acordo de delação premiada. As os posicionamentos do novo advogado indicam uma defesa mais combativa. Em artigo publicado em 23 de maio no site Consultor Jurídico, Cezar Roberto Bitencourt chama de “armadilha” a gravação que “golpeou o presidente da República”. Ele defende que a ilegalidade do material usado como prova, “por ser ardiloso, fraudulento e representar uma espécie de tocaia aplicada pela autoridade investigadora”. Rocha Loures já foi assessor do presidente Michel Temer e é investigado pelo Supremo Tribunal Federal depois de ter sido citado nas delações premiadas dos donos da JBS, Joesley e Wesley Batista. Loures foi filmado recebendo a mala com dinheiro em um restaurante em São Paulo. A suspeita é de que o ex-deputado tenha atuado, com o aval de Michel Temer, em favor da JBS em uma disputa no Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade). Rodrigo Rocha Loures devolveu inicialmente R$ 465 mil à Polícia Federal e os R$ 35 mil restantes, depositou em uma conta judicial.

Apesar de afastado, Rocha Loures mantém o foro privilegiado porque não foi cassado. Ele corria o risco de perder a prerrogativa caso Osmar Serraglio, de quem é suplente, voltasse à Câmara dos Deputados. Serraglio deixou o Ministério da Justiça ontem, mas foi transferido para o da Transparência, apenas trocando de lugar com Torquato Jardim. Quando o escândalo veio à tona, Rocha Loures estava no exterior, em um encontro com empresários nos Estados Unidos. Na volta, ele permaneceu em São Paulo e não voltou mais a Curitiba. Os pais do deputado afastado mantêm um apartamento em São Paulo. Foi em uma pizzaria no Jardim Paulista, perto do apartamento da família, que Loures recebeu a primeira remessa de R$ 500 mil das mãos de Ricardo Saud, diretor da JBS e um dos sete delatores da empresa.

Deixe um Comentário Os comentários serão avaliados por um moderador. Comentários considerados inadequados, impróprios ou ofensivos não serão aprovados

*