Ao trocar o comando da Segurança, governo procura acalmar militares

Ao trocar o comando da Secretaria de Estado da Segurança Pública, o governo do estado deixa evidente a tentativa de acalmar os militares, que vinham manifestando uma série de insatisfações. O novo secretário da pasta, delegado Júlio Reis, assumiu o cargo na companhia de um coronel da PM, Orlando Arthur da Costa, que vai ocupar o cargo de diretor-geral da secretaria, no lugar de um agente civil.

Instituições que representam os militares do alto comando da PM no Paraná assinaram em janeiro uma carta conjunta em que reclamam e exigem providências a respeito da falta de investimentos e do remanejamento de recursos da corporação para outras unidades da Segurança Pública. O novo secretário, que assume o lugar de Wagner Mesquita, deixa o cargo de diretor-geral da Polícia Civil. O lugar dele será ocupado pelo delegado Naylor Gustavo Robert de Lima, que era o delegado-geral adjunto.

Em uma entrevista coletiva nesta segunda-feira (5), em que esteve acompanhado apenas do coronel Orlando Arthur da Costa, o secretário Júlio Reis não quis comentar os desentendimentos do alto comando da PM com o antecessor. Mas disse diversas vezes que a presença de um militar na direção-geral vai facilitar o relacionamento com a corporação.

Outra fragilidade da Secretaria da Segurança é a falta de investimentos na Polícia Científica. A repercussão negativa de um caso em que o Instituto Médico Legal levou 13 horas para recolher um corpo em uma rua de Curitiba em janeiro foi mais um dos desgastes sofridos pelo ex-secretário Wagner Mesquita. O novo chefe da pasta ainda não soube informar quando deve ser inaugurada a nova sede da Polícia Científica, que envolve a estrutura do IML.

Júlio Reis afirma que está na mesa do governador um pedido para abertura de concurso de escrivães e convocação de delegados. Segundo ele, há necessidade de repor o quadro no interior, especialmente com aposentadorias antecipadas pelo projeto de Reforma da Previdência.

O novo secretário da Segurança está na Polícia Civil há cerca de 20 anos. Ele é pós-graduado em Gestão de Políticas Públicas e em Direito Penal. Além de ter sido o delegado-geral da Polícia Civil desde 2014, comandou a Divisão Policial do Interior (DPI) e a Divisão Estadual de Narcóticos (Denarc), além das Subdivisões Policiais de Cascavel e de Pato Branco.

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