Brasileiros pelo mundo: cada vez mais paranaenses abandonam o país para viver no exterior

(Foto: Divulgação / Agência Brasil)

Cada vez mais paranaenses deixam o país definitivamente para buscar oportunidades melhores de vida no exterior. Desde o ano de 2014, quando a operação Lava Jato começou e o Brasil ainda sentia os efeitos das chamadas Jornadas de Junho de 2013 – uma série de manifestações em diferentes capitais contra inúmeros problemas, entre eles a corrupção – o número de pessoas que têm decidido “viver fora” não para de crescer. Esse êxodo já soma mais de 61 mil brasileiros até agora, dentre os quais 1.700 são paranaenses.

A jornalista Francielli Xavier faz parte dessa estatística. Vivendo há um ano e meio com marido em Boca Raton, na FlóridA. Ela faz um balaço do período fora e fala sobre a perspectiva de retorno do casal para o Brasil.

Em muitos casos, as pessoas precisam vender tudo o que têm e recomeçar a vida no exterior a partir do zero. Mas nem isso diminui o movimento de abandono do país, que só aumenta.

De acordo com dados da Receita Federal, de 2013 para cá, a taxa de paranaenses que desistiram de ter domicílio fiscal no Brasil saltou mais de 160%. O dado do Estado fica acima do nacional, que gira em torno de 132% até o momento, e o ano ainda está longe de acabar.

O estudante Vinícius Castagna Lepca, de 18 anos, vai engrossar esses números em breve. Ele conseguiu o primeiro lugar geral da história da Universidade Federal do Paraná neste ano, faz Engenharia Elétrica na instituição, mas vai embora para os Estados Unidos no próximo mês de agosto.

Uma pesquisa feita em 2016 mostra que o volume de alunos brasileiros aceitos em universidades nos Estados Unidos cresceu quase 35% em 2015. E, seja em busca de melhores experiências, novas culturas ou a realização de um sonho, esse número tende a crescer cada vez mais.

O estudante curitibano, que ainda está na fase de aprontar as malas e fazer planos e foi aprovado em três instituições de ensino no país norte-americano, não descarta a possibilidade de voltar ao Brasil, mas acredita que vá se estabelecer por lá.

Por acreditar que a educação de ponta é a chave para o desenvolvimento do Brasil, ele se mostra esperançoso. Resta saber se talentos como o dele vão realmente retornar para fazer essa diferença tão esperada por aqui.

Só para se ter ideia, desde janeiro, o volume de declarações de saída definitiva do país junto à Receita Federal já supera o acumulado de todo o ano passado. Enquanto 2016 terminou com um saldo de 18.165 pedidos em se tratando do país e, de 483 no Paraná, o primeiro semestre de 2017 já apresenta um cenário de 19.568 e 568 documentos, respectivamente. Em uma projeção simples, isso significa que este ano pode terminar com quase 40 mil solicitações de pessoas para deixar o país de vez, sendo mais de mil paranaenses.

Segundo especialistas, este fluxo migratório é o mais intenso da história recente do país. O primeiro teria ocorrido na década de 1990, quando o plano Real entrou em vigor – o que ajuda a reforçar a ideia de relação desse êxodo com a crise econômica.

Entre os países mais abertos à recepção de imigrantes brasileiros estão os caribenhos, os do norte europeu, a Austrália, China e o vizinho Paraguai.

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