Concessionárias não mandam representante em evento para discutir segurança de ciclistas nas estradas

Concessionárias de rodovias do Paraná teriam ignorado propostas elaboradas pelo Detran e pela Associação dos Ciclistas do Alto Iguaçu para melhorar a sinalização nas estradas do Anel da Integração. A Cicloiguaçu alega que elaborou projetos, assim como o Detran, para apresentação no Primeiro Workshop do Programa Paranaense de Mobilidade por Bicicleta, ontem (quarta), direcionado justamente às empresas de pedágio, em especial à Ecovia, responsável pelo trecho da BR-277 entre Curitiba e o Litoral do Paraná.

Representantes das concessionárias, porém, não apareceram na reunião, que contou com a presença de membros da Secretaria de Estado do Meio Ambiente, da Secretaria de Trânsito de Curitiba e da Polícia Rodoviária Federal. A Ecovia afirma que não foi convidada oficialmente, via protocolo, para o evento citado na reportagem. A empresa nega que tenha ignorado as sugestões.

É comum atletas profissionais utilizarem rodovias diariamente para treinamento, além de ciclistas comuns que usam para mobilidade. Desde 2013, usuários se mobilizam para melhorar as condições da prática nas rodovias. Na BR-277 o esforço é maior por ter um número de praticantes mais expressivo. A legislação e o Código de Trânsito Brasileiro permitem o deslocamento de ciclos em vias de trânsito rápido ou rodovias onde há acostamento ou faixas de rolamento próprias, como é o caso da maior parte da BR-277.

A concessionária que administra o trecho resiste em estimular o ciclismo na estrada. Em 2014, placas foram instaladas pela Setran nos trechos urbanos de acesso à rodovia, para indicar o tráfego constante de usuários de bicicletas. Na época, a concessionária chegou a divulgar uma nota em que afirmava que a “rodovia não é lugar de ciclistas” e ainda removeu uma das placas. O coordenador do Cicloiguaçu, Fernando Rosenbaum, lamenta a ausência de representantes das concessionárias para ouvir as propostas de alternativas.

No início da BR-277, somente em um cruzamento na região de Paranaguá, no Litoral do Estado, 47 morreram em acidentes nos últimos 10 anos. Com base no levantamento do Cicloiguaçu, um novo projeto para ampliar a sinalização com placas e pinturas em rodovias da região de Curitiba foi apresentado no encontro pelo Detran. O diretor-geral do órgão, Marcos Traad, que apresentou o projeto, afirmou em entrevista à Agencia Estadual de Notícias, que as ações visíveis são fundamentais para a segurança.

O secretário do Meio Ambiente e Recursos Hídricos, Antonio Carlos Bonetti, destacou a importância de incluir nas obras os projetos relacionados aos ciclistas.

Apesar de respaldado na legislação, o tráfego de bicicletas nas rodovias não é recomendado pelo policial rodoviário federal Igor Soares. Mesmo assim, ele reconhece que o movimento de ciclistas em direção ao Litoral e ao Interior do Estado é frequenta. Ele reforça a necessidade de cuidado dos motoristas, principalmente nos fins de semana.

De janeiro a abril de 2017, a Polícia Rodoviária Federal registrou 65 acidentes envolvendo bicicletas no Paraná, que resultaram em 67 pessoas feridas e oito mortes. No ano passado, o número de mortes de ciclistas cresceu 80% nas rodovias federais do Estado – foram registrados 15 óbitos em 2015, número que subiu para 27 em 2016. Dos 223 acidentes que ocorrem neste período, 195 deixaram pessoas feridas. !!! Por meio de nota, a Ecovia afirma que constantemente realiza reuniões sobre o assunto e reforça que está aberta para o diálogo com todos os interessados, tanto pessoalmente, quanto por escrito. Além disso, a Ecovia afirma que tem ações próprias de incentivo à segurança de todos que trafegam pelos 176 km de concessão, todas autorizadas pelo Departamento de Estradas e Rodagem. A Associação Brasileira de Concessionárias de Rodovias foram procuradas, mas não enviaram resposta à reportagem.

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