Depoimento de peritos que descartam suicídio de Renata Muggiati é adiado a pedido de defesa de Raphael Suss Marques

Foto: Luiz Carlos de Jesus / Band Paraná

Três testemunhas foram ouvidas quarta-feira (16) pela Justiça na audiência de instrução do processo que investiga a morte da fisiculturista Renata Muggiati. Todas elas foram arroladas pela defesa do médico Raphael Suss Marques, acusado de matar a modelo em setembro de 2015. Entre as testemunhas ouvidas, esteve um vizinho que vive no prédio em frente ao que Renata morava com Raphael, um policial militar que atendeu a ocorrência no dia da morte da modelo e um psicólogo do médico. Três pessoas que tinham depoimento previsto não compareceram à audiência.

Estavam previstos, também para quarta-feira (16), os depoimentos de peritos que assinaram o laudo de exumação da modelo. A oitiva, no entanto, foi adiada pela Justiça porque, segundo a defesa de Raphael, os médicos não podem ser ouvidos antes da conclusão de perícias que estão em andamento. Para o assistente de acusação e advogado que representa a família de Renata Muggiati, Claudio Dalledone Júnior, a Justiça tem indícios suficientes para condenar Raphael Suss Marques pela morte da fisiculturista.

O depoimento dos peritos de exumação é apontado como chave pela acusação de Raphael Suss Marques. Na última audiência de instrução do processo, a delegada Aline Manzato, então na Divisão de Homicídios, apresentou o relatório do inquérito que indiciou o médico legista Daniel Colman por falsa perícia. O legista foi o responsável por assinar o primeiro laudo de morte de Renata Muggiati. No documento, o médico atesta que a modelo morreu em decorrência da queda do apartamento em que vivia. No relatório do inquérito, obtido pela reportagem da Bandnews, a delegada aponta que há indícios de que o laudo seja falso.

Em depoimento à polícia, testemunhas disseram que Daniel Colman teria recebido R$ 300 mil reais para confeccionar o laudo. Outra testemunha sigilosa também disse à polícia que Raphael Suss Marques se disse “tranquilo” com o caso porque teria pago R$ 350 mil reais ao perito que apontou o suicídio de Renata Muggiati. As investigações também mostraram que Daniel Colman teria ignorado exames importantes para finalizar o laudo. Um deles é o que aponta que a modelo tinha uma fratura no osso hióide, que fica na região do pescoço.

Na época do crime, o exame complementar assinado pela perita Mara Segalla atestou a lesão em Renata. Foi depois desse procedimento que uma junta médica de peritos do IML exumou o corpo da modelo e atestou que Renata sofreu asfixia mecânica e já estava morta quando caiu do prédio em que morava. Dalledone acredita que a defesa de Raphael teme o depoimento dos peritos que contrariam o laudo de Daniel Colman.

A irmã de Renata Muggiati, Tina Gabriel, destaca que a suspeita de falsa perícia colabora com a tese de que a modelo foi morta.

No mês passado, a direção da Polícia Científica do Paraná afirmou que afastaria o médico Daniel Colman de suas funções no IML, mas isso não aconteceu porque, segundo o setor jurídico da Secretaria de Segurança Pública do Paraná, não havia previsão legal para a medida. Um processo administrativo disciplinar também foi aberto para apurar a conduta do legista. A recomendação foi pela demissão de Colman do quadro do IML.

O processo está, agora, sob análise do governo do estado. O advogado de Raphael Suss Marques, Edson Abdala, foi procurado e disse que tem feito a prova da inocência do acusado. Já o advogado do médico Daniel Colman, Omar Geha, não quis se manifestar.

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