Em depoimento, delator da Operação Quadro Negro diz que esquema de desvio de recursos beneficiou Richa e outros políticos

Principal delator da Operação Quadro Negro, o dono da construtora Valor, Eduardo Lopes de Souza, confirmou em depoimento à Justiça Estadual que o esquema de desvio de recursos de obras em escolas estaduais do Paraná beneficiou uma série de políticos, incluindo o ex-governador Beto Richa, do PSDB. Souza afirmou ter efetuado pagamentos de propina, inclusive antecipando repasses para a campanha de Richa ao Senado neste ano.

O empresário confirmou ainda ter financiado, com o esquema, parte da campanha à reeleição do ex-governador em 2014. No final do ano passado, Lopes de Souza fechou um acordo de colaboração premiada, homologado pelo Supremo Tribunal Federal (STF), e passou a ajudar nas investigações. Em função disso, a 9.ª Vara Criminal de Curitiba convocou uma audiência para ouvir novamente o empresário na ação que apura os crimes relacionados à Quadro Negro.

O processo corre em segredo de Justiça e tem 15 réus, todos sem foro privilegiado. Mas trechos do depoimento do empresário foram divulgados pela RPC TV nesta segunda-feira (15).  Outros inquéritos tratam do mesmo caso e tramitam em outras instâncias por conta do envolvimento de políticos com prerrogativa de foro. No novo interrogatório, Souza reafirmou o que havia dito na delação homologada pelo ministro relator do processo no STF, Luiz Fux.

Por meio da assessoria de imprensa, o PSDB e o ex-governador Beto Richa informaram que não vão comentar o assunto porque o processo tramita em sigilo. A investigação apura desvios de R$ 20 milhões da construção e reforma de escolas estaduais. No depoimento, o delator contou que houve pagamento de propina para assessor do deputado federal Valdir Rossoni (PSDB), Gerson Nunes, relacionado a obras em Bituruna, no sudeste do Paraná. Souza também afirmou que chegou a dar dinheiro, em 2014, para ajudar em campanhas futuras do ex-governador Beto Richa (PSDB).

O advogado Cid Campelo, que defende o deputado Valdir Rossoni e o assessor Gerson Nunes, diz que todas as acusações são mentirosas. Na conta que mantém no Facebook, o deputado Rossoni anunciou que vai prestar depoimento na próxima quinta-feira (17), às 14h, em Curitiba, e que espera que o Ministério Público autorize a presença da imprensa para transmissão do depoimento. Numa menção ao delator, Rossoni diz que a palavra de uma pessoa que descumpre a lei não pode prevalecer.

Apenas um réu ainda precisa ser ouvido no processo. É o ex-diretor da Secretaria de Estado da Educação Maurício Fanini, que foi preso em setembro do ano passado e transferido de Curitiba para Brasília no começo deste mês. Ele também foi citado pelo empresário Eduardo Lopes de Souza como uma das pessoas ligadas ao ex-governador encarregadas da arrecadação de dinheiro para a campanha de reeleição de Richa. Fanini será ouvido por carta precatória. O depoimento é considerado estratégico porque ele também decidiu colaborar com as apurações e agora aguarda a homologação do acordo de delação premiada.

 

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