Em resposta a um pedido da defesa do ex-deputado Eduardo Cunha, Moro afirma que não foi parcial ao julgar o réu

O juiz Sérgio Moro negou um pedido de exceção de suspeição feita pelo ex-presidente da Câmara, Eduardo Cunha. A defesa do réu – condenado na Lava Jato a 14 anos e meio – encaminhou à Justiça uma lista de motivos que tornariam Moro suspeito de parcialidade para julgar.

Entre as razões apontadas estaria a de que Cunha seria um “troféu público” para Moro que aproveitou a prisão preventiva do réu para “ganhar popularidade”. Além disso, para a defesa, a prisão de Cunha teria fundamentos ilegítimos e a manutenção dele no sistema penitenciário do Paraná seria uma forma de forçar a delação premiada. Como resposta, Moro disse que os argumentos não fazem sentido, já que o juiz não mantém qualquer animosidade pessoal em relação ao condenado e que a prisão de Cunha foi confirmada em todas as instâncias judiciais.

Moro alegou ainda que o Tribunal Regional Federal da 4ª Região manteve a condenação de Cunha por unanimidade. No despacho do final do mês de fevereiro, o magistrado ressaltou que o réu tem o direito de questionar a parcialidade do juiz, no entanto, esse direito deveria ser exercido com prudência e sabedoria. Eduardo Cunha cumpre pena no Complexo Médico Penal, em Pinhais na grande Curitiba, desde outubro de 2016 por lavagem de dinheiro, corrupção e evasão de dividas.

Ele teve a sentença reduzida em segunda instância para 14 anos e meio. Na denúncia oferecida à Justiça Federal, o Ministério Público Federal acusou Eduardo Cunha de receber um milhão e meio de dólares em propina em um contrato da Petrobras para a exploração de petróleo em Benin, na África. O dinheiro teria sido depositado em contas não declaradas na Suíça. O ex-parlamentar responde ainda em Brasília a outra ação penal envolvendo fraudes no Fundo de Investimentos do FGTS.

 

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