Especialistas avaliam o impacto do júri popular de Carli Filho para a mudança no comportamento no trânsito

(Foto: Divulgação/Prefeitura de Curitiba)

Cerca de 35 mil pessoas morrem todos os anos no Brasil vítimas da violência no trânsito. Os dados são do Ministério da Saúde e revelam a triste realidade da cultura da imprudência que ainda está tão enraizada no comportamento da população.

O julgamento do ex-deputado Luiz Fernando Ribas Carli Filho acende o debate em torno do tema. Para muitos especialistas, independente de qual seja o resultado do júri popular, a possibilidade de um crime de trânsito ir à Justiça deve ser mais um passo para a maior conscientização sobre a responsabilidade no trânsito.

A promotora de Justiça, Ticiane Louise Pereira, que atua na Promotoria de Crimes Dolosos Contra Vida de Curitiba, acredita que o judiciário brasileiro ainda está amadurecendo em relação aos crimes de trânsito. Ela pontua que a atitude dos motoristas deve ser penalizada com maior rigor.

A falta de penalização dos crimes relacionados ao trânsito alimenta o ciclo de violência. De acordo com dados da ONG “Não foi Acidente”, até 2016 em todo o Brasil, apenas vinte réus foram julgados, condenados e presos por conta de crimes cometidos ao volante. Na avaliação do especialista em trânsito, Celso Mariano, no País existe o conceito errôneo de que um acidente é inevitável, o que relativiza o peso da irresponsabilidade de muitos motoristas.

Da mesma maneira pensa a psicóloga especialista em comportamento no trânsito, Iara Thielen. Ela ressalta que a mudança na maneira como a população encara esse tipo de crime é prejudicada pela demora no julgamento dos réus, como no caso de Carli Filho, que depois de nove anos vai finalmente a júri popular.

Segundo a psicóloga, a associação da causa e da consequência por um comportamento inadequado deve ser a mais rápida possível.

Iara Thielen aponta ainda que a legislação brasileira é muito falha. O excesso de velocidade ainda é menosprezado e a infração é considerada média, o que favorece o pensamento de que “correr um pouquinho” no trânsito não é tão perigoso.

Os especialistas acreditam que o julgamento de Carli Filho é um passo importante de transformação do comportamento da população diante do trânsito. No entanto, na opinião do consultor em segurança, Jota Pedro Corrêa, o caso isoladamente não deve impactar de imediato as políticas públicas sobre o tema.

Segundo dados da Organização Mundial da Saúde, a violência no trânsito permanece no ranking das principais causas de mortes no planeta. Cerca de um milhão duzentas e cinquenta mil pessoas morrem todos os anos no mundo vítimas de acidentes em vias públicas.

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