Ex-executivo da Odebrecht confirma que planilha de propinas fazia referência a terreno para Instituto Lula

Foto: Divulgação

O ex-executivo da Odebrecht e responsável pelo departamento de operações estruturadas, Hilberto Mascarenhas, confirmou em depoimento ao juiz Sérgio Moro que a sigla Prédio IL na planilha de propinas da empreiteira era referente ao Instituto Lula. O ex-executivo explicou que os cerca de doze milhões e quatrocentos mil reais para aquisição do terreno do Instituto foram deduzidos dos créditos do ex-ministro Antonio Palocci, chamado de “Italiano”. No entanto, ele informou que não lembrava dos pagamentos por não ter participado de toda a operacionalização.

 

O delator também confirmou que além de Italiano, eram utilizados na planilha os codinomes “Pós Itália” e “Amigo”, que faziam referência ao ex-ministro Guido Mantega e ao ex-presidente Lula. De acordo com Hilberto Mascarenhas, a planilha foi criada para que o ex-presidente da Odebrecht, Marcelo Odebrecht, tivesse um controle dos créditos que a empresa tinha se comprometido a atender.

 

Durante a audiência, Hilberto Mascarenhas também contou de que forma funcionava o departamento de operações estruturadas, o chamado departamento de propinas. Ele esclareceu que os pagamentos eram solicitados por executivos e quem aprovava o débito eram os líderes empresariais de cada área. O ex-executivo ainda reafirmou que as prestações de vantagens indevidas a políticos do alto escalão eram feitas sempre com o conhecimento de Marcelo Odebrecht.

 

Ainda prestaram depoimento hoje (quarta) os ex-executivos da Odebrecht, Márcio Faria e Rogério Araújo. As audiências de testemunhas serão retomadas na próxima segunda-feira (12) com o depoimento de onze pessoas. Na ação penal, o Ministério Público Federal acusa o ex-presidente de ter sido beneficiado pela Odebrecht que, em troca de contratos com a Petrobrás, teria custeado um terreno para a construção da nova sede do Instituto Lula e um apartamento em São Bernardo do Campo, São Paulo. Neste contexto, a propina distribuída pela Odebrecht chega a R$ 73 milhões. O dinheiro ilícito beneficiou partidos e políticos – principalmente do PMDB, PP e PT.

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