Ex-funcionária da BRF revela que as rações de engorda de animais sofriam alterações constantemente

Em depoimento à Polícia Federal, uma ex-funcionária da BRF Brasil Foods revelou que era uma prática comum da empresa alterar a composição de rações de engorda de suínos, frangos e perus. Segundo Tatiane Alviero, que trabalhou em uma unidade da empresa em Chapecó, Santa Catarina, as fórmulas nem sempre atendiam ao regulatório do Ministério da Agricultura e, por isso, os rótulos dos produtos eram alterados para se adequarem a norma.

A ex-funcionária declarou ainda que os superiores da BRF tinham conhecimento das irregularidades. Tatiane foi uma das 10 pessoas presas na terceira fase da Operação Carne Fraca, mas foi liberada nesta terça-feira (06) depois de prestar depoimento.

À Polícia Federal, ela disse que pediu demissão do emprego depois que descobriu as fraudes. A ex-funcionária trabalhou na BRF entre 2011 e 2015. Ela analisava as rações de engorda e repassava as informações ao Sistema de Gestão de Qualidade. Tatiane afirmou que constatou irregularidades nos dados dos produtos repassados para os órgãos de fiscalização e que a real composição destoava do que era apresentado.

O produto analisado era o Premix, utilizado como complemento vitamínico e mineral às rações que eram fabricadas. Ela ressaltou que “a fábrica só pensava em produzir, em produtividade” e que percebeu que as fraudes deveriam ocorrer há um longo período. Sempre que a ex-funcionária relatava as ocorrências a coordenadores da empresa, recebia como resposta que esta era uma estratégia da corporação.

No depoimento, ela enfatizou ainda que em um lote de fevereiro de 2015, foram alterados 65% dos Premixes. Vários e-mails trocados entre a ex-funcionária e superiores comprovariam que ela alertou sobre as fraudes. Em um deles Tatiane reforça para um coordenador da empresa que medicamentos eram utilizados nas unidades de forma irregular e que eles eram ocultados nas auditorias do Ministério da Agricultura. O depoimento sustenta mais uma vertente das investigações da terceira etapa da Carne Fraca.

De acordo com as apurações preliminares, cinco laboratórios credenciados no Ministério da Agricultura e laboratórios de análises da BRF teriam fraudado resultados de exames feitos em carnes para que o Serviço de Inspeção Federal concedesse certificação. Entre 2012 e 2015, um frigorífico do Paraná e dois de Goiás ligados à BRF Brasil Foods teriam omitido a presença da bactéria Salmonella em carne de frango para garantir a exportação do produto.

Entre os países consumidores estavam a China, África do Sul e a Rússia. Os 9 presos temporários nesta etapa vão permanecer detidos na Superintendência da Polícia Federal por pelo menos 5 dias, que podem ser prorrogados. Além de Tatiane Alviero, outra presa, ex-funcionária da BRF, Fabianne Baldo, também foi liberada, mas no mesmo dia da deflagração das ações.

 

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