Ex-ministro José Dirceu afirma que a nomeação de Renato Duque para a Petrobras foi decisão política

Em depoimento ao juiz Sérgio Moro, o ex-ministro José Dirceu revelou que a nomeação do ex-diretor da Petrobras, Renato Duque, foi política. Segundo ele, outros candidatos à vaga eram de governos tucanos e, por isso, não foram escolhidos para o cargo. Dirceu foi ouvido nesta segunda-feira (05) por videoconferência como testemunha de defesa do ex-secretário-geral do Partido dos Trabalhadores, Silvio Pereira.

Neste processo, ele juntamente com o ex-executivo da OAS, Léo Pinheiro e Renato Duque são réus acusados de corrupção e lavagem de dinheiro. Segundo a denúncia, Pereira teria recebido propina da empresa de engenharia GDK e da OAS no esquema de corrupção da Petrobras.

Em troca, ele teria favorecido as empresas na licitação de um módulo da Unidade de Tratamento de Gás de Cacimbas, em Linhares, no Espírito Santo, entre 2004 e 2005. Como vantagem indevida, Silvinho, como é conhecido, teria recebido um carro de luxo avaliado em meio milhão de reais. O ex-ministro José Dirceu afirmou a Moro que não tinha conhecimento sobre o caso envolvendo o ex-secretário-geral do PT, mas respondeu a uma série de questionamentos sobre Duque.

Segundo ele, a nomeação de pessoas para cargos importantes como os da Petrobras era definida pelos ministros, que levavam em consideração o posicionamento político desses nomes.

Dirceu contou ainda que soube da cotação de Renato Duque para o cargo de diretor em uma reunião com a ex-presidente Dilma Roussef e outros ministros. Segundo ele, integrantes da administração anterior de Fernando Henrique Cardoso também eram cotados.

No entanto, por questões políticas, Duque foi escolhido. Dirceu disse que não tinha sentido indicar nomes do governo anterior para ocupar a frente da estatal.

Esta denúncia foi recebida pelo juiz Sérgio Moro em novembro de 2016. Os próximos depoimentos estão agendados para amanhã (07) no período da tarde, quando serão ouvidas mais duas testemunhas.

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