Filmagem do pagamento de propina é ação inédita na Lava Jato

A filmagem do pagamento de propina faz parte do que se costuma chamar de ação controlada, forma excepcional de investigação policial. Esse tipo de ação, com supervisão policial direta, ocorre quando um criminoso, réu ou mero suspeito aceita coletar provas para a polícia, com apoio tecnológico e eventual intervenção das autoridades policiais no processo.

A coleta de provas faz parte de um acordo de delação no qual o investigado terá benefícios, como um tempo menor de prisão ou até mesmo a extinção da pena. A ação controlada está prevista na nova lei de organização criminosa. É a mesma lei que criou regras mais definidas para os acordos de delação premiada. A ação controlada é pouco utilizada pela polícia porque há riscos para o investigado, assim como a chance de que a prova seja anulada pela Justiça e exige um aparato tecnológico e um grau de conhecimento que, talvez, só a Polícia Federal tenha no Brasil.

No caso da JBS, a Polícia Federal colocou um chip no pacote de cédulas que integravam o pacote dos R$ 2 milhões supostamente pedidos pelo senador Aécio Neves (PSDB-MG) para pagar seu advogado e seguiu as notas eletronicamente. Assim, a PF conseguiu monitorar o caminho das malas de São Paulo até Belo Horizonte, onde as cédulas foram depositadas em uma empresa do senador Zezé Perrela (PMDB-MG), aliado político e amigo de Aécio. Esta seria a primeira vez que a Operação Lava Jato recorre a esse tipo de ação para produzir provas.

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