Fora da cadeia há seis meses, Alberto Youssef planeja retomar a vida empresarial

Depois de seis meses fora da cadeia, o doleiro Alberto Youssef, um dos principais delatores da Operação Lava Jato, divide o tempo entre a família, planos para abrir um novo negócio e uma agenda ainda movimentada de depoimentos como colaborador. Youssef deixou a prisão em Curitiba em 17 de novembro do ano passado. Ficou quatro meses em prisão domiciliar em São Paulo e nesta quarta-feira (17) completa dois meses em regime aberto.

No regime aberto, Alberto Youssef ainda é submetido a algumas restrições. Além de ser monitorado por uma tornozeleira eletrônica, ele precisa voltar para casa todas as noites e não pode sair nos finais de semana. Habilidoso no crime, Youssef também foi um comerciante hábil desde a juventude em Londrina, no Norte do Paraná.

Ele chegou a dizer ainda enquanto estava preso que voltaria a se tornar um empresário bem-sucedido. Um dos advogados do doleiro, Tracy Reinaldet, diz que Youssef enfrenta dificuldades de reconquistar credibilidade – inclusive em bancos – depois de ter sido condenado e ter um dos nomes mais expostos na Lava Jato. Mesmo assim, o ex-doleiro estaria buscando alternativas em ramos empresariais lícitos nos quais tem experiência.

Como delator, Alberto Youssef é obrigado a manter o compromisso de prestar depoimento a autoridades sempre que requisitado, o que tem acontecido pelo menos a cada 15 dias. Segundo Tracy Reinaldet, a maioria das obrigações é cumprida na capital paulista, onde Youssef mora.

Alberto Youssef firmou acordo de delação premiada com a Lava Jato depois da doleira Nelma Kodama e do ex-diretor da Petrobras Paulo Roberto Costa. Condenado em nove processos por penas que somam 121 anos e 11 meses de prisão, ficou detido por dois anos e oito meses na carceragem da Polícia Federal em Curitiba.

Ele completou os 3 anos da pena estabelecida como benefício no acordo com os quatro meses de prisão domiciliar, em um apartamento na Vila Nova Conceição, em São Paulo. A delação premiada da Lava Jato é a segunda firmada por Alberto Youssef.

Em 2003, ele colaborou com as investigações do caso Banestado, depois de ser acusado de lavagem de dinheiro, numa fraude que chegou a US$ 124 bilhões. Mas quebrou o acordo ao voltar a cometer crimes. Se Youssef fizer o mesmo no caso da Lava Jato, pode ser preso novamente e perder todos os benefícios.

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