João Santana e Monica Moura reafirmam ter recebido dinheiro de caixa 2

Em depoimento ao juiz Sérgio Moro nesta segunda-feira (05), o marqueteiro João Santana afirmou que nunca esteve no sítio de Atibaia, no interior de São Paulo, e que não tem detalhes da propriedade do imóvel. Santana prestou depoimento como testemunha de acusação na ação penal que o ex-presidente Lula é acusado de ter recebido vantagens indevidas da OAS e da Odebrecht por meio de benfeitorias no sítio que ele e a família frequentavam.

Conforme a denúncia, as melhorias totalizaram cerca de um milhão de reais. Na audiência, o marqueteiro voltou a dizer que na campanha à reeleição do petista os pagamentos feitos pela Odebrecht não eram contabilizados e explicou que os valores eram depositados em contas no exterior.

João Santana ainda reafirmou que nunca tratou com Lula sobre valores ou formas de pagamento de serviços de campanha. No entanto, disse ao juiz Sérgio Moro que o ex-presidente tinha conhecimento da existência de pagamentos de caixa 2

Monica Moura, esposa de João Santana, também foi indicada pelo Ministério Público Federal como testemunha de acusação no processo. Em depoimento, a publicitária reafirmou que recebeu dinheiro de caixa 2 para coordenar campanhas políticas e que no PT tratava dos pagamentos com o ex-tesoureiro do partido João Vaccari Neto e com o ex-ministro Antonio Palocci. Monica Moura negou ao juiz Sérgio Moro que tenha conversado com o ex-presidente Lula para discutir o pagamento de vantagens indevidas.

Após a audiência, o advogado do ex-presidente Lula, Cristiano Zanin Martins, disse que nenhuma das testemunhas sobre fatos ligados ao sítio de Atibaia, que é o principal objeto da ação penal. Zanin voltou a dizer que a propriedade não é do petista.

As testemunhas de acusação do processo devem ser ouvidas até o dia 26 de março. Na sequência, serão agendados os depoimentos das testemunhas de defesa. Os advogados de Lula indicaram 59 pessoas para falar a favor do ex-presidente. Moro ainda não agendou a data dos interrogatórios dos réus.

Segundo a denúncia do Ministério Público Federal, os recursos para a reforma no sítio de Atibaia vieram de seis contratos firmados entre as empreiteiras OAS e Odebrecht com a Petrobras. Em troca, Lula teria beneficiado as empresas mantendo nos cargos os ex-executivos da estatal, Renato Duque, Paulo Roberto Costa, Jorge Zelada, Nestor Cerveró e Pedro Barusco, que estavam à frente do esquema de corrupção.

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