Justiça cassa liminar e Bibinho volta para a cadeia

 

O ex-diretor da Assembleia Legislativa do Paraná Abib Miguel, o Bibinho, está novamente atrás das grades. Ele foi preso outra vez nessa terça-feira (23) por determinação do Tribunal de Justiça do Paraná. Bibinho é suspeito de fazer parte de uma quadrilha que atua na extração ilegal de madeira no interior do Estado e estava em liberdade monitorada desde 28 de dezembro de 2017. Ele havia conseguido uma liminar junto ao juiz substituto de 2º grau Acácio de Moura, mas a cautelar foi cassada nesta semana pelo desembargador José Maurício Pinto de Almeida. É o que explica o coordenador estadual do Gaeco, o Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado, Leonir Batisti.

O Gaeco é o braço policial e de investigação do Ministério Público do Paraná e o ex-diretor da Alep foi preso em 17 de novembro do ano passado durante a Operação Castor, deflagrada pelo órgão. A força-tarefa apura a extração ilegal de madeira de uma das propriedades de Bibinho em Rio Azul, na região central do Estado. O imóvel está bloqueado pela Justiça para eventual restituição aos cofres públicos em virtude dos desvios de verbas do Legislativo Estadual – caso que ficou conhecido como “escândalo dos Diários Secretos”. E a suspeita é a de que Abib Miguel tenha construído até uma estrada para escoar a madeira retirada do local.

Na liminar concedida em dezembro pelo juiz Acácio de Moura, o argumento foi o de que não havia mais necessidade de manter Abib Miguel preso. A determinação era a de que então o ex-diretor da Alep ficasse em casa sob monitoramento de tornozeleira eletrônica. Ocorre que o desembargador José Maurício foi o relator no TJ do caso dos “Diários Secretos”. Por causa disso, cabe a ele a análise de ações decorrentes dos desdobramentos da investigação principal, como as da Operação Castor, por exemplo.

Bibinho já foi condenado duas vezes por organização criminosa, lavagem de dinheiro e peculato. Entre 1997 e 2010, ele teria sido o responsável por desvios de dinheiro milionários mediante a contratação de quase 100 funcionários fantasmas na Assembleia Legislativa. Segundo a denúncia, os recursos eram “lavados” por meio da aquisição de imóveis urbanos e rurais colocados no nome dele e de parentes de onde eram extraídos minérios e madeira, além da exploração agrícola. Essas propriedades, bloqueadas pela Justiça, ficam no Paraná, Tocantins, Goiás, Rio Grande do Norte, Mato Grosso, Santa Catarina e São Paulo.

A defesa de Abib Miguel tem negado as acusações e atribuído o corte de madeira na propriedade à ação de invasores. A BandNews tentou, mas não conseguiu contato com os advogados nesta quarta. Com a nova decisão, Bibinho foi reconduzido ao Complexo Médico Penal em Pinhais, na Grande Curitiba.

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