Manobras e julgamento tardio deram enredo ao Caso Carli Filho

(Foto:  Reprodução/RPC)

O dia 7 de maio de 2009 amanheceu com mobilização da imprensa para cobertura de um grave acidente que havia matado dois jovens. Com a apuração dos fatos, descobriu-se que o motorista sobrevivente, que teria causado a batida por estar em alta velocidade, era o deputado estadual pelo PSB, Luiz Fernando Ribas Carli Filho, de 26 anos, membro da poderosa família Ribas Carli, de Guarapuava, no Centro-Sul do Paraná.

O pai, Fernando Ribas Carli, foi prefeito de Guarapuava por três vezes, além de ter exercido mandatos como deputado estadual e federal. Repórter da TV Band na época, a jornalista Jordana Martinez conta que a apuração daquele caso passou a ser diferente das demais. Vários fatos curiosos chamaram atenção.

As reportagens que expuseram os momentos que antecederam o acidente geraram ainda mais comoção popular. Entre os fatos estava o relato de um segurança do estacionamento do restaurante que teria tentado impedir que o deputado dirigisse bêbado.

Depois da saída do restaurante, testemunhas relatam como aconteceu o acidente. O carro, segundo as testemunhas, decolou no topo da subida.

Jordana Martinez lembra também como surgiu a campanha, amplamente difundida no Paraná por meio de adesivos em carros e faixas espalhadas por Curitiba, que dizia “190 quilômetros por hora é crime”. A iniciativa foi de uma agência de publicidade de Curitiba, em alusão ao acidente que envolveu o deputado. Os adesivos foram distribuídos pela primeira vez na missa de sétimo dia de Gilmar Yared, na Igreja do Balão, na Rua XV de Novembro.

A jornalista relata também outros fatores que fizeram com que o caso ganhasse um simbolismo ainda maior, o que inflamou o debate sobre a Justiça aplicada a poderosos. Imagens de câmeras de segurança, junto com outros materiais que poderiam servir como evidências.

Um dos radares da Rua Monsenhor Ivo Zanlorenzi estava desligado no dia do acidente. Em 2016, a assistência de acusação incluiu no processo uma multa registrada por um radar próximo ao local da batida e apenas quatro minutos antes do acidente, sugerindo que os radares funcionavam perfeitamente, ao contrário do que a empresa alegou na ocasião. Na época, a Consilux, que administrava os radares de Curitiba, informou que teria ocorrido um “apagão” sobre uma das faixas e que isso comprometeu o registro de imagens.

Mesmo assim, o Ministério Público descartou a possibilidade dessa multa alterar o andamento do processo. A multa foi registrada cerca de 600 metros a frente do local do acidente. Ou seja, em uma região em que Carli Filho não chegou a passar. Tantos desdobramentos também serviram para alimentar lendas urbanas que nunca foram provadas, mas que também foram exploradas em campanhas políticas, e que hoje, certamente voltam ao imaginário popular.

É consenso entre as pessoas que acompanharam o caso, que a demora para que houvesse um desfecho colaborou para que tantos fatos integrassem o debate. Hoje (27), pela primeira vez publicamente, Christiane Yared, mãe de Gilmar Yared, morto no acidente que envolveu o ex-deputado em 2009, disse que além de álcool, Carli Filho havia consumido cocaína.

O laudo no Instituto Médico Legal, na época, porém, apontou que não havia vestígios de anfetaminas ou cocaína no material analisado.

Morreram no acidente os jovens Gilmar Rafael Yared, de 26 anos, mesma idade que Carli Filho tinha na época, e Carlos Murilo de Almeida, de 20 anos.

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