Maternidade Victor Ferreira do Amaral pode ser interditada

Foto: Leonardo Bettinelli/UFPR

O Conselho Regional de Medicina do Paraná (CRM-PR) abriu um indicativo de interdição ética na Maternidade Victor Ferreira do Amaral, no bairro Água Verde, em Curitiba. Segundo a entidade, durante uma vistoria feita em novembro do ano passado, foi identificada a falta de profissionais para suprir as escalas de trabalho, médicos alocados em atividades diferentes ao mesmo tempo e a inexistência do serviço de neonatalogia, que presta atendimento aos recém-nascidos de modo contínuo.

É o que explica o assessor jurídico do CRM, Martim Afonso Palma.

O CRM-PR apontou também que havia apenas um anestesista disponível – o que impossibilitaria o atendimento de mais de uma emergência ao mesmo tempo. O CRM-PR deu um prazo de 90 dias para a instituição corrigir as falhas. A decisão foi aprovada por unanimidade na noite de segunda-feira (11), em reunião do Conselho. As denúncias foram feitas no 2º semestre de 2017 pelo próprio corpo clínico da maternidade, principalmente ginecologistas e pediatras.

Segundo Palma, ao longo dos últimos meses o Conselho monitorou a instituição para avaliar se os problemas seriam corrigidos. Como não houve mudanças, o indicativo de interdição foi emitido.

Não foram encontradas irregularidades na parte estrutural da maternidade. A nota divulgada no site do CRM-PR afirma que os problemas encontrados “comprometem o trabalho dos médicos e demais profissionais e colocam em risco a vida dos pacientes que ali buscam assistência”. Se as falhas apontadas não forem corrigidas dentro do prazo, a instituição vai ser efetivamente interditada e ficará proibida de exercer a atividade médica. Palma afirma que novas fiscalizações devem ser feitas para verificar se a situação foi ou não modificada.

Em nota, a superintendência do Complexo Hospital de Clínicas, responsável pela maternidade, afirma que a unidade continua realizando todos os atendimentos normalmente e de forma segura e que as providências cabíveis estão sendo tomadas para atender os apontamentos do CRM-PR. A maternidade é a mais antiga do estado e faz cerca de 2 mil e 800 partos por mês.

 

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