Médico é indiciado por falsa perícia no caso Muggiati

A direção da Polícia Científica do Paraná confirmou, ontem (12), o afastamento do médico legista Daniel Colman, do Instituto Médico Legal de Curitiba. O servidor é suspeito de ter fraudado o laudo de morte da fisiculturista Renata Muggiati.

A Secretaria de Segurança Pública do Paraná confirmou que Colman foi indiciado por falsa perícia. Em nota, a Sesp disse que não pode repassar maiores detalhes sobre o crime, porque o caso corre em segredo de justiça.

Daniel Colman assinou o laudo que aponta que Renata Muggiati morreu em decorrência da queda do 31º andar do prédio em que vivia. O procedimento desconsiderou um exame complementar, feito pouco depois, que atesta que a fisiculturista foi vítima de asfixia e já estava morta quando caiu do apartamento.

As irregularidades cometidas pelo médico Daniel Colman foram confirmadas ontem (12) em uma audiência de instrução do caso, no Juizado de Violência Doméstica e Familiar contra a Mulher. Nela, foram arroladas vinte e uma testemunhas. O depoimento mais esperado da tarde era o da delegada Aline Manzatto, da Divisão de Homicídios e Proteção à Pessoa.

Arrolada pelo Ministério Público como testemunha de acusação, a delegada relatou o resultado das investigações sobre a conduta do médico legista. O inquérito de quinhentas páginas teve duração de cinco meses. De acordo com o promotor de justiça Marcelo Balzer, o relatório apresentado para a juíza Juliane Velloso, mostra que Daniel Colman falsificou o laudo que aponta os motivos da morte de Renata Muggiati.

O promotor apontou detalhes que atestam irregularidades na confecção do laudo feito por Daniel Colman. Um deles é o fato de que Daniel Colman teria reescrito o exame utilizando-se de uma rede de wi-fi particular da residência de outra pessoa.

Outro ponto levantado nas investigações da delegada Aline Manzatto é a postura do médico legista com relação à liberação do corpo de Renata Muggiati.

Para a delegada, mesmo com a confirmação das irregularidades, não há motivos para colocar o trabalho do IML sob suspeita

As investigações ainda não apontam se Raphael Suss Marques estaria envolvido em uma possível encomenda do laudo falso e se houve o pagamento de alguma compensação financeira ao médico do IML para que ele cometesse as irregularidades. Daniel Colman também responde a um processo administrativo na Polícia Científica.

De acordo com a Sesp, o procedimento já foi concluído e recomentou a demissão do servidor. O resultado do processo foi encaminhado para o departamento jurídico da Sesp e aguarda um parecer. Caso a recomendação seja acatada, ela ainda passa pela análise da governadora Cida Borghetti que tem a palavra final sobre a exoneração.

O médico Raphael Suss Marques, então namorado de Renata Muggiati, é acusado da morte da fisiculturista. Ele responde ao crime em liberdade, monitorado por tornozeleira eletrônica. Na época, o médico chegou a ser preso suspeito da morte, mas foi solto, entre outros motivos, porque o laudo apontava que as lesões de Renata eram incompatíveis com um homicídio.

Para o Ministério Público, Raphael Suss Marques deve ser condenado por homicídio qualificado, lesão corporal e fraude processual. O promotor do caso entende que o acusado alterou a cena do crime para forjar o suicídio de Renata Muggiati.

Na audiência de hoje (12), foram ouvidas, além da delegada Aline Manzatto, testemunhas de defesa de Raphael. Entre elas, estiveram o pais do médico. Uma nova audiência de instrução do caso está marcada para o dia 16 de maio. Nela, serão ouvidos os peritos que assinaram o laudo de exumação de Renata – pedido pela polícia após a expedição do laudo assinado por Colman.

A junta médica, que não inclui o médico suspeito de irregularidades, apontou que Renata Muggiati morreu por asfixia e já estava sem vida quando caiu do apartamento. Essa junta será ouvida pela juíza, que também irá interrogar Daniel Colman. Só depois de encerrada essa parte do processo é que Raphael Suss Marques será ouvido.

Depois, defesa e acusação se manifestam. Por fim, a juíza decide se Suss Marques vai ou não a júri popular.

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