Moro começa a ouvir as testemunhas de acusação de terceiro processo na Lava Jato envolvendo o ex-presidente Lula

O juiz Sérgio Moro começa nesta segunda-feira (5) as primeiras testemunhas da ação penal da Lava Jato que acusa o ex-presidente Lula de receber vantagens indevidas da OAS e da Odebrecht por meio de benfeitorias no sítio em Atibaia, no interior de São Paulo. Conforme a denúncia, as melhorias totalizaram cerca de um milhão de reais. Nesta segunda-feira serão ouvidos o ex-gerente da Área Internacional da Petrobras e delator Eduardo Musa, e o casal de marqueteiros – que também fecharam acordo de colaboração – João Santana e Monica Moura. As audiências serão na sede da Justiça Federal em Curitiba.

Na quarta-feira (07) serão ouvidas mais quatro pessoas, entre elas os ex-executivos da Schahin Engenharia, Milton e Salim Schahin e o ex-presidente da Braskem, Carlos José Fadigas. O sitio em Atibaia foi citado durante o interrogatório, em setembro do ano passado, do ex-ministro Antonio Palocci, em outra ação da Lava Jato. Palocci citou um “pacto de sangue” que Lula teria firmado com o patriarca Emílio Odebrecht, que incluía, entre outras vantagens, o sítio em Atibaia.

Além de Lula, outras doze pessoas também são rés neste processo, entre elas o ex-presidente da OAS, Léo Pinheiro. Em abril do ano passado, Pinheiro chegou a dizer em depoimento ao juiz Sérgio Moro que foi orientado por Lula para que destruísse provas que pudessem incriminá-lo durante o andamento da Lava Jato. Na audiência, o ex-executivo disse que, em um encontro em 2014, Lula pediu que documentos de propina do caixa do PT fossem apagados.

As testemunhas de acusação do processo do sitio em Atibaia devem ser ouvidas até o dia 26. Na sequência serão agendados os depoimentos das testemunhas de defesa. Os advogados de Lula indicaram 59 pessoas para testemunharem a favor do ex-presidente. Moro ainda não agendou a data dos interrogatórios. Segundo a denúncia do Ministério Público Federal, os recursos para a reforma no sítio de Atibaia vieram de seis contratos firmados entre as empreiteiras OAS e Odebrecht com a Petrobras. Em troca, Lula teria beneficiado as empresas mantendo nos cargos os ex-executivos da estatal, Renato Duque, Paulo Roberto Costa, Jorge Zelada, Nestor Cerveró e Pedro Barusco, que estavam à frente do esquema de corrupção. Todos já foram condenados na lava jato. A defesa de Lula nega as acusações e diz que “não existe qualquer elemento mínimo que permita cogitar que Lula praticou qualquer dos crimes indicados pelo MPF”. O ex-presidente afirma que não é dono do imóvel, que estaria no nome do sócio de um de seus filhos.

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