Moro determina abertura de inquérito para investigar Beto Richa

Em despacho, o juiz federal Sérgio Moro deu um prazo de 30 dias para que o Ministério Público Federal e a Polícia Federal deem continuidade às investigações que envolvem o ex-governador do Paraná Beto Richa (PSDB). Moro também pediu a abertura de um inquérito para apurar um suposto esquema de favorecimento da construtora Odebrecht na licitação para a duplicação da PR 323, na região noroeste do Paraná.

Nesta semana foram divulgados áudios de uma conversa por telefone entre o ex-chefe de Gabinete e ex-secretário de comunicação do Governo do Paraná – Deonilson Rodo – e o diretor executivo de uma das empreiteiras interessadas na obra, a Contern, Pedro Rache. No diálogo que teria acontecido no ano de 2014, o representante do governo do Paraná dá a entender que havia um “compromisso” com a Odebrecht na licitação.

Ao sugerir que a empreiteira Cotern dê espaço à Odebrecht na licitação da rodovia, Roldo menciona a possibilidade de uma composição em possíveis negócios da Copel.

Após a gravação – que foi divulgada inicialmente pela revista IstoÉ – a governadora Cida Borghetti determinou a exoneração de Deonilson Roldo da direção da Copel e de outros cinco cargos que mantinha no Governo do Paraná. Em nota, o governador Beto Richa afirmou que “desconhece qualquer encontro do seu então chefe de gabinete com representante da construtora mencionada.

De qualquer forma garante que nunca autorizou qualquer pessoa a fazer tratativas para interferir em qualquer processo licitatório em seu governo” Também em nota, Deonilson Roldo afirma que “Está sendo vítima de chantagem continuada, a partir de uma gravação clandestina feita por pessoa que esteve uma única vez no gabinete do governo do estado, em 2014, buscando informações sobre uma Parceria Público Privada.

A própria conversa foi gravada de forma premeditada, ilegal e com interesses escusos – e  mostra que não houve pedido de favorecimento a ninguém.” No dia 26 de abril, o ministro do Superior Tribunal de Justiça (STJ), Og Fernandes, determinou o envio das investigações que envolvem Beto Richa para o juiz Moro e para a Justiça Eleitoral do Paraná. O caso corre em segredo de Justiça.

O inquérito em questão foi aberto em junho do ano passado e trata de suposto caixa 2 em três campanhas eleitorais de Beto Richa. Em delação premiada no âmbito da Operação Lava-Jato, o ex-presidente de Infraestrutura da Odebrecht Benedicto Jr. afirmou que a empresa destinou R$ 2,5 milhões à campanha de reeleição do tucano em 2014. O valor seria abatido do projeto da obra.

A duplicação da PR-323 foi a primeira Primeira Parceria Público Privada (PPP) do Paraná. O Diretório Estadual do PSDB afirmou em nota que todas as doações eleitorais nas campanhas do ex-governador Beto Richa ocorreram em conformidade com a legislação vigente e estão amparadas pela aprovação da Justiça Eleitoral.

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