Moro e advogado de Lula discutem em novo depoimento de Odebrecht sobre e-mails

O empresário condenado na Lava Jato, Marcelo Odebrecht, relatou ao juiz Sérgio Moro, nesta quarta-feira (11), o envolvimento do então executivo Marcos Grillo nas tentativas envolvendo a compra de um terreno para o Instituto Lula.

Segundo o delator, o então executivo era responsável pelo setor de ‘geração de recursos’, dentro do setor de operações estruturadas. Esse setor viabilizava o ‘caixa dois’ da Odebrecht. O empresário foi interrogado novamente, no processo que acusa o ex-presidente Lula de ter sido beneficiado pela empreiteira na compra do terreno e de um apartamento em São Bernardo do Campo, no ABC paulista.

O reinterrogatório foi marcado depois que Marcelo Odebrecht entregou uma série de e-mails que sugerem a influência de Lula e a interlocução do ex-presidente em diversos temas – mesmo após o fim do segundo mandato, a partir de 2011.

O empresário, que cumpre prisão domiciliar, confirmou que os recursos destinados para a aquisição do terreno destinado ao Instituto Lula eram da contabilidade paralela.

Lula, que é réu no processo, não participou da audiência. De acordo com os advogados de Marcelo Odebrecht, mais de 40 e-mails comprovariam pedidos de ajuda financeira para terceiros, que direta ou indiretamente beneficiaram Lula. Uma das mensagens, datada de junho de 2011, reforça o conhecimento de Lula sobre uma ‘conta corrente’, mantida para o codinome ‘italiano’, que seria referência ao ex-ministro Antônio Palocci.

Os e-mails passaram por uma perícia da Polícia Federal, que garante que o material é autêntico. No laudo, os peritos afirmam que todas as mensagens eletrônicas encontradas nos e-mails são exatamente iguais aos localizados nos discos rígidos do notebook de Marcelo Odebrecht.

Durante a audiência desta quarta-feira (11), mais uma vez o advogado do ex-presidente Lula, Cristiano Zanin Martins, discutiu com o juiz Sérgio Moro.

O processo está na fase de diligências complementares. Todos os réus já foram interrogados, incluindo o ex-presidente Lula. Não há previsão para que o juiz Sérgio Moro dê a sentença do caso.

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