Moro estende prazo para perícia nos sistemas de pagamento de propina da Odebrecht

O juiz Sérgio Moro decidiu estender o prazo para que a Polícia Federal finalize a perícia nos sistemas Drousys e My Web Day, que eram usados entre os executivos da Odebrecht para pagamentos de propina a agentes públicos e políticos. Com a decisão, a equipe de peritos tem até o dia 22 de fevereiro para encerrar os trabalhos e apresentar o laudo final da perícia.

No pedido, o delegado Felipe Hayashi explicou que a equipe de peritos precisava de mais tempo porque não tem as credenciais de acesso de dados cifrados de um dos sistemas. Em despacho, Moro observou que caso os peritos não consigam analisar as informações por falta de autorização, a perícia deve se limitar ao exame dos sistemas disponíveis.

A análise dos softwares foi determinada pelo juiz Sérgio Moro em setembro do ano passado, após um pedido da defesa do ex-presidente Lula em ação penal na qual o petista é acusado de ter recebido propina da Odebrecht por meio de um terreno onde seria construída a nova sede do Instituto Lula e de um apartamento em São Bernardo do Campo (SP). Em troca, o petista teria atuado para beneficiar a empresa em oito contratos com a Petrobras.

Os advogados do ex-presidente questionavam a validade de parte das provas apresentadas pelo Ministério Público Federal, com base nos dois sistemas. Em dezembro do ano passado, a Polícia Federal já havia pedido mais tempo para terminar a perícia nos softwares depois da chegada ao Brasil de novos materiais apreendidos na Suíça. À época, o pedido de prorrogação era de 45 dias e, portanto, se encerrava nesta semana.

Nos sistemas Drousys e My Web Day constam milhares de documentos que comprovariam o pagamento de propina a agentes públicos e políticos. Entre os materiais está uma planilha que indicaria valores repassados ao ex-presidente Lula e ao ex-ministro Antonio Palocci. A denúncia aponta que R$ 12,4 milhões teriam sido destinados a compra do terreno para a instalação de uma nova sede para o Instituto Lula.

A perícia nos sistemas deve esclarecer em quais dias e horários e de qual computador foram feitas alterações no documento. Respondem a este processo, além de Lula e Palocci, o empreiteiro Marcelo Odebrecht e o empresário Glaucos da Costamarques.

 

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