MP denuncia PMs por envolvimento em chacina com 12 mortes e 14 feridos, em Londrina

Dois policiais militares foram denunciados pelo Ministério Público do Paraná como responsáveis por parte da chacina que deixou 12 mortos e 14 feridos em janeiro de 2016, em Londrina, no Norte do Paraná. As denúncias foram feitas na última sexta-feira (26), três dias antes de o caso conhecido como “noite sangrenta” completar dois anos. De acordo com o Ministério Público, os policiais estão entre os mentores e autores dos disparos da maior chacina já registrada em Londrina. Os PMs foram identificados por três homens que sobreviveram ao massacre que aconteceu na madrugada do dia 29 para o dia 30 de janeiro de 2016. Os ataques ocorreram em sete locais diferentes, após o assassinato do policial militar Cristiano Botino.

Em dois endereços, no Jardim Bandeirantes e Jardim Planalto, três pessoas morreram em cada um dos locais. Duas crianças estavam em uma das casas e não se feriram. Das seis primeiras vítimas, que morreram na hora, apenas uma tinha passagem pela polícia. Entre as vítimas internadas em hospitais da região, seis morreram nos dias seguintes. Em maio de 2016, seis policiais militares foram presos. Quatro saíram da cadeia em seguida e os últimos dois foram soltos em agosto daquele ano. Desde então eles respondem ao processo em liberdade. No total, foram abertos 17 inquéritos pela Polícia Civil, mas apenas dois viraram denúncias. Os outros, segundo o MP, não vingaram por falta de provas. O promotor Ricardo Alves Domingues reclama da demora na conclusão das perícias que deveriam ter sido entregues pela Polícia Civil.  Segundo ele, as denúncias contra os dois policiais só avançaram por causa dos depoimentos das testemunhas.

Outro problema para a demora na conclusão do processo seria a destruição de provas. Imagens de câmeras de segurança e cápsulas dos tiros desapareceram.

O caso ainda passou pelas mãos de três delegados. O responsável atual é Vitor Dutra de Oliveira. Depois da série de problemas na investigação, diversas pessoas desistiram de testemunhar. Nenhuma delas recebeu proteção especial do Estado. O promotor responsável afirma que não houve pedido nesse sentido nos processos. Os dois PMs denunciados, assim como os quatro investigados, estão livres e continuam trabalhando. Os dois denunciados estão em funções administrativas. No processo, o MP pede a suspensão do porte de arma dos acusados, suspensão parcial da função pública, proibição de aproximação das testemunhas e comparecimento periódico ao juízo.

Um outro caso, que ocorreu em março de 2016, pode estar relacionado com a chacina que aconteceu dois meses antes. Quatro policiais militares e um publicitário foram presos suspeitos de executar um carroceiro e forjar provas. Uma escuta telefônica do Gaeco flagrou os policiais determinando que uma arma fosse levada pelo publicitário e outro policial até o local onde estava o corpo do carroceiro. Exames balísticos apontaram que a arma foi utilizada na chacina de janeiro. Quando o publicitário foi preso, o Gaeco encontrou vasto armamento e munições na casa do suspeito.  Os policiais e o publicitário envolvidos nesse caso também respondem em liberdade.

Três meses depois da chacina, em abril de 2016, um grupo de ativistas da periferia de Londrina pichou diversos locais da cidades, entre eles dois dos principais edifícios do centro de Londrina, com a pergunta “quem matou os 20?”. O manifesto faz referência às pessoas mortas na maior chacina registrada no município de 550 mil habitantes, e a maior do Brasil em 2016, somadas a outras mortes que ocorreram em seguida e que teriam ligação.

Sobre a demora na conclusão dos exames, a direção da Polícia Científica informou por meio de nota que, em relação ao Instituto Médico Legal, todas as necropsias foram realizadas, e os laudos foram prontamente entregues à Delegacia de Homicídios de Londrina. Sobre os laudos feitos pelo Instituto de Criminalística, a Polícia Científica afirma que foram mais de cem exames relacionados a estes casos e a maioria dos laudos já foram concluídos e encaminhados às autoridades. Restam, no Instituto de Criminalística, apenas dez exames, da área de equipamento computacional, que, segundo a nota, ainda estão sendo elaborados.

Deixe um Comentário Os comentários serão avaliados por um moderador. Comentários considerados inadequados, impróprios ou ofensivos não serão aprovados

*