MPF vai investigar autenticidade de recibos de aluguel de apartamento apresentados pela defesa de Lula

A autenticidade dos recibos de aluguel do apartamento em São Bernardo do Campo apresentados pela defesa do ex-presidente Lula deve ser investigada pelo Ministério Público Federal. A força-tarefa da Lava Jato instaurou um procedimento chamado “incidente de falsidade”, no qual se investiga um documento anexado aos autos de uma ação criminal que é alvo de controvérsia.

Para o MPF, Lula não pagou alugueis pelo uso do local e a propriedade teria sido adquirida com dinheiro da empreiteira Odebrecht por meio do engenheiro e empresário Glaucos da Costamarques no ano de 2010. Os advogados do ex-presidente contestam a afirmação. Eles apresentaram 26 recibos na tentativa de comprovar que o aluguel do imóvel foi uma relação privada de locação.

No documento anexado ao processo, o MPF ressalta que a defesa de Costamarques alega que os recibos referentes ao ano de 2015 foram assinados todos de uma só vez, no período em que o empresário esteve internado no Hospital Sírio-Libanês, em São Paulo, em dezembro daquele ano. Os papéis teriam sido entregues por um contador a mando do advogado e compadre de Lula, Roberto Teixeira.

Além disso, segundo os procuradores, não há fluxo financeiro na conta de Costamarques que seja compatível com o recebimento dos valores de aluguel entre 2011 e 2015, segundo dados obtidos mediante quebra de sigilo bancário. A força tarefa pontua ainda que os registros de despesas domésticas encontrados na residência de Lula não fazem referência ao pagamento do aluguel.

Os recibos que foram entregues recentemente na fase de diligências complementares do processo não foram encontrados durante as buscas e apreensões feitas na residência e no escritório do ex-presidente e da ex-primeira-dama Marisa Letícia. Os documentos só foram incluídos na ação penal passados nove meses do oferecimento da denúncia.

Por esses motivos, o MPF pede que sejam verificados o momento em que os recibos foram assinados, quando eles foram confeccionados e se foram feitas alterações ou montagens. Os procuradores solicitam a defesa de Lula apresente os documentos originais dos recibos e que informe em que local eles foram encontrados. A força tarefa pede ainda ao juiz Sérgio Moro que sejam autorizadas perícias nos papéis e que seja determinada nova oitiva de Glaucos da Costamaques.

O apartamento em São Bernardo com Campo é um dos objetos da ação penal, que acusa Lula de receber o imóvel e um terreno onde seria construída a sede do Instituto Lula como propina da Odebrecht. O advogado do ex-presidente, Cristiano Zanin, emitiu uma nota sobre o assunto. A defesa afirma que a perícia nos recibos vai demonstrar que eles são verdadeiros.

Na nota, a defesa sustenta que o questionamento do MPF é uma “tática ilusionista” de quem não conseguiu comprovar que os valores provenientes de contratos da Petrobras beneficiaram o ex-presidente.

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