OAB quer renúncia dos envolvidos nas revelações de Joesley Batista

Foto: Divulgação / Conselho dos Advogados do Brasil

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A Ordem dos Advogados do Brasil quer a renúncia dos políticos envolvidos nas revelações feitas pelo dono da JF, controladora da empresa JBS, Joesley Batista, no acordo de colaboração premiada firmado em sigilo com a Procuradoria-Geral da República. Isso, claro, se as denúncias se confirmarem.

O empresário entregou às autoridades gravações que comprovam a participação pessoal do presidente Michel Temer (PMDB) nas tratativas para comprar o silêncio do ex-deputado e ex-presidente da Câmara Federal Eduardo Cunha na Operação Lava Jato.

Os senadores mineiros pelo PSDB Aécio Neves, presidente nacional do partido, e Zezé Perrela, e o deputado federal Rodrigo Rocha Loures (PMDB-PR), também teriam sido citados por recebimento de propina. O presidente da seccional Paraná da OAB, José Augusto Araújo de Noronha, conversou com a BandNews. Segundo ele, os representantes dos órgãos nos Estados e no Distrito Federal se organizam para agirem em conjunto.

Segundo reportagem assinada por Lauro Jardim, colunista do jornal O Globo, nas gravações, Temer concorda com o pagamento de mesadas milionárias a Cunha e ao operador Lúcio Funaro, presos na Lava Jato, para ficarem calados e não colaborarem com as investigações da força-tarefa em Curitiba. Além de Joesley Batista, o irmão dele, Wesley, e outros cinco executivos do frigorífico, também negociaram acordos com a PGR. Tudo isso se deu no mês passado, mas a informação não havia sido divulgada para permitir a coleta de provas.

Ainda conforme a reportagem, Temer foi gravado indicando o deputado federal paranaense Rodrigo Rocha Loures para resolver uma pendência da JBS junto ao governo. Posteriormente, Rocha Loures foi filmado pela Polícia Federal recebendo uma mala com R$ 500 mil reais enviados pela empresa. Os números de série das notas foram informados aos procuradores e as bolsas com a propina entregue tinham chips eletrônicos para que o caminho do dinheiro fosse rastreado. O deputado está fora do país e deve se pronunciar nas próximas horas.

Em relação ao senador Aécio Neves, em uma gravação de cerca de 30 minutos, ele pede R$ 2 milhões ao empresário. A justificativa foi a de que ele precisava do dinheiro para custear a própria defesa na Operação Lava Jato. O político foi afastado do cargo na manhã desta quinta por ordem do STF, assim como o deputado Rocha Loures.

Zezé Perrela, por sua vez, denunciado como intermediário no pagamento da propina ao colega tucano, foi alvo de um mandado de busca e apreensão, mas segue pelo menos por enquanto.

A JBS é proprietária da Friboi e da Seara e maior produtora de proteína animal do mundo. O presidente nacional da OAB, Claudio Lamachia, deve pedir ainda hoje (quinta, 18) ao Supremo Tribunal Federal o levantamento do sigilo da delação de Joesley Batista.

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