Operação Asfixia prende ex-gerentes da subdivisão de Gás e Energia da Petrobras

Na quadragésima  fase da Lava Jato os investigadores da Polícia e do Ministério Público Federal chegam a um núcleo ainda não explorado durante os mais de três anos de investigações. Foram detidos na Operação Asfixia os ex-gerentes da Petrobras Marcio de Almeida Ferreira e Maurício Guedes de Oliveira. Os agentes públicos – suspeitos de receberem mais de cem milhões de reais em propinas – trabalhavam na subdivisão de Gás e Energia da estatal. Esta é a primeira fase da Lava Jato que mira neste setor da Petrobras.

Os ex-gerentes foram presos temporariamente – a validade desta prisão é de cinco dias, embora possa ser renovada por mais cinco, ou convertidas para preventivas. Também foram detidos, sem prazo para deixar a prisão, os empresários Marivaldo do Rosário Escalfoni e Paulo Roberto Gomes Fernandes. O grupo seria o responsável por fraudar dezenas de licitações da Petrobras no período entre 2003 e 2016.

Para a delegada Renata da Silva Rodrigues, da Polícia Federal, o que ainda surpreende a esta altura da Lava Jato é que agentes públicos continuavam a receber propinas de empresários mesmo com a operação em andamento.

A forma como os repasses eram realizados são parecidos com outros esquemas descobertos durante as investigações. A Petrobras assinava contratos fictícios com empresas e o dinheiro, na realidade, beneficiava os recebedores da propina. No caso das investigações da 40ª fase, os contratos de empresários com a estatal foram assinados ainda antes de ser desencadeada a Lava Jato – mas, por conta de aditivos, os repasses continuaram ativos com o passar dos anos.

O levantamento preliminar da força-tarefa Lava Jato coloca sob suspeita 18 contratos da Petrobras – assinados com as empresas Akyzo e Liderroll. Ao todo, os contratos valiam cinco bilhões de reais. Neste contexto, de acordo com a delegada Renata da Silva Rodrigues, pelo menos cem milhões (R$ 100 mi) em propinas foram distribuídas.

Para parte da força-tarefa Lava Jato – que ano passado chegou a afirmar que a operação já não era mais uma investigação na Petrobras – ainda há muito trabalho a ser feito na própria estatal. Apesar disso, o procurador da República Carlos Fernando dos Santos Lima argumenta que os desvios quase sempre estão relacionados a partidos políticos e financiamento de campanhas eleitorais. Na opinião dele, atualmente é impossível dimensionar o nível de corrupção na Petrobras.

O delegado Igor Romário de Paula, coordenador da força-tarefa na Polícia Federal, explica que os “caminhos” da investigação são apontados pelas provas coletadas.

Além das prisões, a 40ª fase da Lava Jato cumpriu outras vinte e uma ordens judiciais. Policiais federais levaram cinco pessoas para prestar depoimento por meio de mandados de condução coercitiva – depois de prestar depoimento, elas foram liberadas. Também foram cumpridas dezesseis ordens de busca e apreensão. A Operação Asfixia teve desdobramentos nas cidades do Rio de Janeiro (RJ), São Paulo (SP), Belo Horizonte (MG), Niterói (RJ) e Duque de Caxias (RJ).

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