Operação Poço Seco investiga recebimento de propina por Claudia Cruz

Foto: Divulgação / Facebook Polícia Federal

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Na nova etapa da Operação Lava Jato, batizada de Poço Seco, os procuradores do Ministério Público Federal suspeitam do envolvimento da jornalista Claudia Cruz, esposa do ex-presidente da Câmara Eduardo Cunha, no recebimento de propina de um contrato da Petrobrás firmado em 2011. O MPF vai recorrer da decisão do juiz Sérgio Moro, que absolveu a jornalista.

Na quadragésima primeira etapa da lava jato, a Polícia Federal cumpriu um total de 13 mandados no Distrito Federal, Rio de Janeiro e São Paulo. Um mandado de prisão temporária está em aberto e é contra o ex-banqueiro João Augusto Ferreira dos Santos, ele não foi encontrado pelos agentes. Um mandado de prisão preventiva, que já foi cumprido, é contra o ex-gerente da área internacional da Petrobrás, Pedro Augusto Côrtes Bastos.

Eles e outras cinco pessoas são suspeitos de terem recebido mais de cinco milhões e meio de dólares em propinas da empresa responsável pela venda de um campo seco de petróleo em Benin, na África, para a Petrobrás. Segundo o Procurador Carlos Lima, cerca de 10% do contrato estimado em 30 milhões de dólares teriam sido destinados para o pagamento da propina.

A investigação foi iniciada em agosto de 2015, a partir da cooperação internacional do MPF com a Justiça da Suíça. Os suspeitos de terem sido beneficiados com as propinas mantinham contas bancárias naquele País e também nos Estados Unidos. Os pagamentos teriam sido feitos entre 2011 e 2014 e foram intermediados pelo lobista João Henriques, operador do PMDB no esquema da Petrobrás. Ele foi preso em setembro de 2015 em outra fase da lava jato e foi condenado a sete anos de prisão por corrupção e lavagem de dinheiro, por conta dos mesmos fatos, mas em outro processo, o mesmo em que Eduardo Cunha, foi condenado. Segundo o Procurador da força-tarefa da lava jato, há a suspeita de que parte do montante de propina oriunda do contrato do campo seco, abastecia contas da jornalista Claudia Cruz e de Eduardo Cunha.

O MPF vai recorrer da decisão do juiz Sérgio Moro, que absolveu a jornalista nesta quinta-feira (25). A Polícia Federal cumpriu ainda cinco mandados de busca e apreensão no Rio de Janeiro, um em Brasília e dois em São Paulo. Álvaro Teixeira e Fernanda Luz, suspeitos de serem operadores do esquema, foram alvos de mandados de condução coercitiva. Fernanda é filha de Jorge Luz, que já foi preso em outra etapa da lava jato. Ela deve prestar esclarecimentos à Polícia Federal em Curitiba neste sábado (27). Para o Procurador, ambos devem fornecer informações importantes para a investigação.

Ainda segundo o procurador Carlos Lima, a equipe da força tarefa da lava jato teve redução de nove para quatro delegados. Apesar disso, ele ressalta que a equipe na procuradoria continua com 13 procuradores, que estão recebendo reforço de assessoria nos últimos meses.

Os investigados na nova etapa da lava jato devem responder pelos crimes de corrupção, fraude em licitações, evasão de divisas, lavagem de dinheiro entre outros. Os dois presos serão trazidos para a Superintendência da Polícia Federal em Curitiba.

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