Polícia Federal dá início aos depoimentos da Operação Quadro Negro

Começam hoje (01) as oitivas de quase 20 pessoas intimadas pela Polícia Federal para prestar esclarecimentos na Operação Quadro Negro. A força-tarefa apura um esquema de desvios de recursos da construção e reforma de escolas públicas do Paraná que teria provocado um rombo estimado em mais de R$ 20 milhões.

A investigação foi deflagrada em 2015 pelo Gaeco, o Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado, do Ministério Público do Paraná. Mas esses depoimentos em específico serão colhidos pela PF por causa do possível envolvimento de autoridades com foro no Supremo Tribunal Federal.

A BandNews procurou a Assessoria de Imprensa da Polícia Federal em Curitiba, mas a Corporação não deve se pronunciar aqui porque as informações serão enviadas diretamente a Brasília. Entre os intimados estariam pessoas próximas ao governador Beto Richa (PSDB) e nomes que integram o primeiro escalão do Executivo estadual. Mesmo assim, o político se diz absolutamente tranquilo.

As investigações apontam que as irregularidades ocorreram entre os anos de 2011 e 2014 e que o dinheiro teria sido usado para abastecer a campanha à reeleição de Richa em 2014. O dono da Valor Construtora, Eduardo Lopes de Souza, fechou um acordo de delação com a Justiça e citou ainda o pagamento de propina ao deputado federal licenciado e secretário-chefe da Casa Civil, Valdir Rossoni (PSDB). Outras pessoas com direito a foro privilegiado também teriam sido mencionadas por ele.

O nome do engenheiro Maurício Fanini, ex-diretor da Secretaria de Estado da Educação, é mais um que aparece nas declarações do empresário. Ele está preso, é apontado como um dos principais envolvidos nas fraudes e também tenta fechar um acordo de colaboração com a Procuradoria-Geral da República.

As ações da Quadro Negro que tramitam no STF são paralelas às que correm na primeira instância da Justiça estadual, em relação aos réus que não têm foro. Segundo o MP, a equipe chefiada por Fanini produzia relatórios fraudados sobre o andamento das obras das escolas. Com isso, pagamentos eram liberados pelo poder público sem a execução dos serviços correspondentes.

À imprensa, Valdir Rossoni tem negado participação no esquema e sustentado que renuncia ao cargo público se alguém provar alguma coisa contra ele.

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