Policiais acusados de tortura no caso Tayná são autorizados a voltar ao trabalho

Os policiais acusados de torturar quatro suspeitos da morte da adolescente Tayná Adriane da Silva, de 14 anos, em 2013, foram autorizados pela Justiça a retornar ao trabalho, em atividades administrativas.

A decisão do juiz Hermes da Fonseca Neto, publicada ontem (quinta), atende a um pedido da Delegacia Geral da Polícia Civil.

No despacho, ele afirma que o pedido mostra necessidade do serviço público e também ressalta que os acusados ainda não foram condenados.

A assessoria da polícia, informou, por meio de nota, que existe uma solicitação da Delegacia Geral, requerendo o retorno de alguns servidores afastados oficialmente.

O Departamento da Polícia Civil ainda não recebeu o comunicado oficial desta solicitação com a decisão judicial. A nota afirma que a instituição sempre tem interesse que os policiais retornem às funções, mesmo que não seja em atuação plena.

A Polícia Civil reforça que o policial afastado judicialmente, recebe salário e direito como se estivesse em atividade normal. O Ministério Público também ainda não recebeu ainda os laudos do juiz, mas o promotor responsável não poderia se pronunciar, já que o caso corre em segredo de Justiça.

Na época do crime, o delegado Silvan Rodney Pereira, que era o titular da Delegacia do Alto Maracanã, em Colombo, Região Metropolitana de Curitiba, além de dez investigadores e um policial militar foram afastados dos cargos acusados de terem torturado quatro funcionários de um parque de diversões de Colombo que foram presos na época suspeitos de terem estuprado e matado a adolescente.

Depois da prisão dos acusados, o Ministério Público passou a investigar o caso e acusou os policiais civis e o militar de terem torturado os rapazes na delegacia para que eles confessassem o crime.

 A denúncia levou à prisão dos investigadores e do delegado, e em seguida, ao afastamento das funções públicas. Agora, a nova decisão judicial revogou parcialmente a medida cautelar de afastamento das funções, autorizando os policiais a cumprirem atividades administrativas.

O advogado de defesa dos policiais, Cláudio Dalledone, não atendeu às ligações da reportagem. Ao Paraná Portal, ele afirmou que os suspeitos “inverteram a situação e já que foram castigados por detentos dentro da cadeia após assumirem que estupraram Tayná e aproveitaram isso para culpar os policiais”.

Caso Tayná

Após dois dias desaparecida, Tayná Adriane da Silva foi encontrada morta em um terreno baldio em Colombo, em junho de 2013. Quatro homens, funcionários de um parque de diversões que estava instalado no local, foram presos. Na época, a polícia informou que eles confessaram que estupraram e mataram a garota.

No mesmo dia, moradores da região invadiram e atearam fogo no parque de diversões. Dois dias depois, uma perita da Polícia Científica afirmou que não foram encontrados indícios de estupro no corpo da menina.

Toda a equipe que estava responsável pela investigação do caso foi afastada e, em seguida, houve a denúncia de que a confissão do crime (dos quatro suspeitos) havia sido feita sob tortura e 14 pessoas foram presas, entre elas policiais e delegados envolvidos no caso.

Foi encontrado sêmen na calcinha de Tayná, mas não é compatível com nenhum dos suspeitos envolvidos no caso, de acordo com os exames de DNA realizados.

O corpo de Tayná foi exumado e passou por exames para solucionar questões pendentes durante a investigação. O caso segue em segredo de justiça e os quatro suspeitos da morte da garota estão no Programa Federal de Proteção a Vítimas e Testemunhas Ameaçadas (Provita). O caso da morte de Tayná ainda não foi solucionado.

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