Presos da nova fase da Operação Lava Jato vem para Curitiba

Os presos da 34ª fase da Operação Lava Jato são trazidos ainda nesta quinta-feira (22) para Curitiba. Dos oito mandados autorizados pela Justiça Federal, sete foram cumpridos. Ainda não foi detido o empresário Francisco Corrales Kindelan, que está na Espanha. Todas as prisões desta fase são temporárias. Elas são válidas por cinco dias – e podem, na sequência, ser prorrogadas por mais cinco dias ou convertidas em preventivas. Segundo a Polícia Federal, os presos são trazidos de vários estados e chegam a Curitiba entre o final da tarde e a noite desta quinta-feira.

Três núcleos de corrupção são investigados na Operação Arquivo X, a 34ª fase da Lava Jato. A Força Tarefa analisa contratos para a exploração de petróleo do pré-sal entre a Petrobras e um consórcio formado pela OSX Construções Navais e pela Mendes Junior Engenharia (Consórcio Integra Ofsshore). O acordo foi selado em 2012. O Ministério Público Federal identificou três repasses realizados no ano seguinte (2013) que podem significar transições ilícitas. Na análise da força-tarefa, OSX e Mendes Junior só conseguiram o contrato mediante pagamento de propinas para agentes públicos e políticos.

O principal alvo da Operação Arquivo X é o ex-ministro da Fazenda Guido Mantega. De acordo com o procurador da república Carlos Fernando dos Santos Lima, da Força Tarefa Lava Jato no Ministério Público Federal, o ex-ministro se reuniu no final de 2012 com o empresário Eike Batista. Neste encontro ele pediu uma “doação” para quitar dívidas eleitorais da campanha primeira campanha presidencial de Dilma Rousseff (PT).

Para cumprir este acordo, Eike Batista fez um repasse de mais de dois milhões e trezentos mil dólares (U$ 2,35 milhões). Essa transação foi realizada por meio de transferências internacionais para um conta offshore ligada à publicitária Mônica Moura. Ao lado do marido João Santana, também publicitário, Mônica trabalhou na campanha de reeleição de Dilma Rousseff.

Polícia e Ministério Público Federal reservaram os primeiros minutos da coletiva de imprensa realizada na manhã de hoje (quinta, 22) para explicar a prisão do ex-ministro. As autoridades foram até a casa dele, no início do dia, mas não o encontrou. No apartamento estavam apenas o filho – menor de idade – e uma funcionária. Guido Mantega estava no hospital Albert Eintein, onde acompanhava a esposa que faz tratamento contra um câncer. O delegado Igor Romário de Paula, da Força Tarefa na Polícia Federal, explica que foi feito o possível para evitar o constrangimento do ex-ministro.

Além das investigações que envolvem Mantega, Eike Batista e Mônica Moura, existem ainda outros dois núcleos de investigação. Um deles trata de repasses feitos pela Mendes Junior para o operador João Augusto Resende Henriques, ligado ao PMDB. A Força Tarefa esclarece que ainda precisa esclarecer o destino destes sete milhões de reais.

O terceiro foco de investigação mira contratos fictícios firmados com empresas ligadas ao ex-ministro José Dirceu e ao ex-deputado André Vargas (ex-PT).

Segundo o procurador da república Carlos Fernando dos Santos Lima, a Lava Jato chega a uma momento de afunilamento nas investigações relacionadas aos crimes cometidos na Petrobras. Na opinião dele, a operação – atualmente – foca no financiamento de campanhas políticas. Ele comenta que os crimes não se resumem ao PT.

Além das prisões, a 34ª fase da operação Lava Jato também cumpre 33 mandados de busca a apreensão e outros oito mandados de condução coercitiva – quando a pessoa é levada para depor e depois é liberada. Participam da operação aproximadamente 180 policiais federais e 30 auditores fiscais. As ordens, autorizadas pela 13ª Vara Federal de Curitiba, são cumpridas nos estados de São Paulo, Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul, Minas Gerais e Bahia, além do Distrito Federal.

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