Principal elo entre PT e Odebrecht, ex-ministro Palocci é preso na Lava Jato

Foto: Divulgação / Agência Brasil

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Quatro dias depois de a Lava Jato prender o ex-ministro da Fazenda Guido Mantega, foi detido hoje (segunda, 26) Antônio Palocci. Ele foi ministro da Fazenda durante o Governo Lula e ministro-chefe da Casa Civil durante o Governo Dilma Rousseff. Além de Palocci também foram alvos dois ex-assessores dele, Branislav Kontic e Juscelino Dourado. Os três foram presos em São Paulo durante o cumprimento dos mandados relacionados à 35ª fase da Lava Jato, a Operação Omertà. Apesar de a Força-Tarefa ter pedido a prisão preventiva dos investigados, a Justiça Federal do Paraná autorizou uma medida mais branda – a prisão temporária. Ela é válida por cinco dias, se não for renovada ou convertida.

A Operação Omertà tem como principal foco a relação do ex-ministro Antonio Palocci com a empreiteira Odebrecht. As investigações partem das planilhas ligadas ao Setor de Operações Estruturadas do grupo. Esta área da Odebrecht, segundo a força-tarefa Lava Jato, tinha como único objetivo fazer a operação dos pagamentos de propinas.

Os repasses feitos a Palocci entre 2006 e 2013 ultrapassam a marca de R$ 128 milhões. As transferências não se resumem a períodos eleitorais. Por isso, procuradores e delegados afirmam que parte do dinheiro foi distribuída como propina, além de abastecer campanhas eleitorais ainda não identificadas. O delegado Filipe Pace, que faz parte da Força-Tarefa na Polícia Federal, diz que o mais surpreendente dos repasses são os altos valores envolvidos e o fato de que boa parte deste montante foi distribuída em dinheiro vivo.

O Setor de Operações Estruturadas da Odebrecht foi descoberto na Operação Xepa, a 26ª fase da Lava Jato. Na época foram apreendidos diversos documentos na sede da empreiteira, incluindo planilhas que detalhavam os pagamentos de propina e doações ilegais feitos pelo Grupo. De acordo com a Força-Tarefa, Antônio Palocci recebia o codinome “Italiano”. Em meio às planilhas foi encontrada a área denominada de “Posição Programa Especial Italiano”, na qual era atualizada constantemente com os valores repassados a Palocci. De acordo com a procuradora da república Laura Gonçalves Tessler, o ex-ministro era o principal “elo” entre a Odebrecht e o Partido dos Trabalhadores.

Segundo a Força-Tarefa, Antônio Palocci atuava como um verdadeiro operador de uma espécie de conta corrente abastecida pela Odebrecht, com o objetivo de favorecer agentes públicos, políticos e o Partido dos Trabalhadores. O presidente do grupo, Marcelo Odebrecht, via nestes pagamentos uma forma de receber vantagens para a empreiteira. Dos R$ 128 milhões repassados a esta conta, a Polícia Federal ainda tenta identificar o destino final de R$ 70 milhões, que restaram como saldo. O delegado Filipe Pace não descarta a participação de outros operadores além de Antônio Palocci.

Outro foco de investigação da 35ª fase da Lava Jato trata da compra de um terreno feita pela Odebrecht, que teria como objetivo sediar um novo prédio do Instituto Lula. A área foi comprada por R$ 12 milhões. A força-tarefa também localizou a minuta dos contratos e documentos sobre a construção de um prédio de três andares. A procuradora Laura Tessler explica que todas as tratativas desta compra eram conhecidas por Antônio Palocci.

Por meio de nota, o Instituto Lula nega possuir este terreno. A organização diz que desde que foi criado, em 2011, funciona em uma mesma sede. A nota ainda diz que “o Instituto Lula não tem e nunca teve outra sede ou terreno”. No total, 45 ordens judiciais foram expedidas na 35ª fase da Lava Jato. Além das três prisões temporárias, também são cumpridos 15 mandados de condução coercitiva – quando a pessoa é levada para depor e depois é liberada – e outras 27 ordens de busca a apreensão. Os mandados são cumpridos nos estados de São Paulo, Rio de Janeiro, Espírito Santo, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul e Bahia, além de Brasília, no Distrito Federal.

 

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