Reconstrução do Palácio Belvedere pode parar na Justiça

(Foto: Cesar Brustolin/SMCS)Arquivo

A situação do Palácio Belvedere pode virar uma discussão judicial muito em breve. Isso porque o Sindicato dos Arquitetos e Urbanistas do Paraná exige da Academia Paranaense de Letras e do Governo do Estado a instalação, em caráter emergencial, de uma cobertura provisória no prédio histórico.

O argumento é o de que, da forma como o imóvel está desde o incêndio registrado em dezembro passado, sujeito a todo tipo de intempéries, vai ser muito difícil e cara a restauração no futuro. E como o espaço guarda uma parte importante da história paranaense, é preciso agir logo.

Segundo o advogado Ramon Bentivenha, que representa o sindicato, o documento encaminhado foi uma notificação extrajudicial e, nela, a entidade dá um prazo para que os envolvidos resolvam o problema. O palácio fica na Praça João Cândido, no bairro São Francisco, Centro Histórico de Curitiba.

O documento foi enviado na última sexta (9) e, na prática, pede que uma lona seja colocada sobre a estrutura do palácio. O gasto estimado para a compra do material é de aproximadamente R$ 4 mil – o que é pouco diante da despesa calculada caso seja preciso recuperar o assoalho, por exemplo, por causa da chuva.

O custo da reconstrução do telhado, do forro e de parte do pavimento superior do imóvel deve ser de quase R$ 1,5 milhão. Um projeto de restauro já existia em 2017, mas precisou ser refeito depois do incêndio e essa conta deve ser paga com recursos da Academia Paranaense de Letras e também da Prefeitura de Curitiba, mas o advogado explica a razão pela qual a Administração Municipal não foi notificada.

Ainda conforme o advogado, o primeiro ofício pedindo providências em relação à situação do Belvedere é datado de 8 de dezembro de 2017 – dois dias após o incêndio. O laudo com as causas do episódio não foi divulgado pelo Corpo de Bombeiros até hoje, mas, na época, cogitou-se até mesmo que as chamas pudessem ter sido provocadas, e não acidentais.

O edifício, tombado pelo Patrimônio Cultural do Paraná, foi entregue pelo Governo do Estado para a Academia Paranaense de Letras em 2015. No projeto inicial, o palácio abrigaria o Observatório da Cultura Paranaense, mas como o imóvel ficou fechado, acabou se tornando alvo da ação de vândalos com o tempo.

O espaço foi construído para ser um mirante no então ponto mais alto urbanizado da capital paranaense, mas a edificação teve outros usos. Nos anos 1920, o imóvel foi sede da primeira rádio do Paraná, a Rádio Clube Paranaense me, na década de 1930, passou a ser Observatório Astronômico da antiga Faculdade de Engenharia do Paraná.

Mais tarde, em 1962, era lá a sede da União Cívica Feminina Paranaense e, anos depois, o local foi usado como posto da Polícia Militar, em 2008, e como o primeiro Centro Estadual de Defesa dos Direitos da População em Situação de Rua entre 2012 e 2014.

A BandNews procurou o Governo do Estado na manhã desta quarta (14), mas ninguém deve se manifestar sobre o assunto por enquanto. Nós também não conseguimos contato com representantes da Academia Paranaense de Letras.

 

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