Renato Duque diz estar disposto a devolver 20 milhões de euros recebidos como propina

Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

O ex-diretor da Petrobras Renato Duque assumiu o compromisso de repatriar e devolver 20 milhões de euros que recebeu de propina.  Segundo ele, o dinheiro está em duas contas no banco Julius Baer, no Principado de Monaco.

Duque também se comprometeu a devolver recursos de uma terceira conta no banco Cramer, na Suíça, mas não mencionou o valor. As declarações são do depoimento que prestou na sexta-feira (5) ao juiz Sérgio Moro, em um processo decorrente da 35.ª fase da Lava Jato, no qual é réu. Duque já havia sido interrogado em 17 de abril, mas ficou em silêncio. Agora, pediu um novo interrogatório, alegando que quer colaborar. Segundo o ex-diretor, o dinheiro que recebeu vinha de um esquema montado pelo então gerente da área de Serviços da Petrobras Pedro Barusco e do qual Duque se beneficiou, sem questionar.

O ex-diretor da Petrobras disse que não havia uma obrigação de arrecadar recursos para partidos políticos. Segundo Duque, quando um contrato era firmado com a estatal, o tesoureiro do partido normalmente procurava a empresa e pedia uma contribuição. Os repasses de recursos para o Partido dos Trabalhadores (PT) seriam de responsabilidade de Renato Duque e os do Partido Progressista (PP), do ex-diretor Paulo Roberto Costa. Segundo Duque, não havia uma obrigação, mas uma consequência de uma empresa ser vencedora de uma licitação na Petrobras.

Preso desde março de 2015, atualmente na Polícia Federal em Curitiba, Renato Duque já foi condenado a aproximadamente 50 anos de prisão em três processos da Lava Jato. O ex-diretor chegou a iniciar duas negociações de acordos de delação premiada com o Ministério Público Federal, mas que não vingaram. Agora, os advogados tentam a colaboração diretamente no processo judicial. Na ação em que foi interrogado, Duque é réu com mais 14 acusados, entre eles o ex-ministro Antonio Palocci, o empresário Marcelo Odebrecht, e os publicitários Monica Moura e João Santana. O Ministério Público acusa Palocci de ter recebido pelo menos 128 milhões de reais em propinas da Odebrecht para defender os interesses da empreiteira no governo federal. A denúncia está relacionada a contratos de afretamento de sondas assinados entre a empreiteira e a Petrobras. Por intermédio da Sete Brasil.

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