Schahin confirma pagamento de US$ 2,5 mi em propina a agentes da Petrobras

O empresário Milton Schahin, sócio do grupo Schahin e colaborador da Lava Jato, confirmou em interrogatório nesta segunda-feira (17) o pagamento de US$ 2,5 milhões em propinas para obtenção de um contrato com a Petrobras. O depoimento foi prestado ao juiz Sérgio Moro, em Curitiba, em audiência de um processo decorrente da 38.ª fase da Lava Jato, a chamada Operação Blackout.

Nessa etapa da investigação, de fevereiro deste ano, os principais alvos são os lobistas Jorge e Bruno Luz, que teriam atuado como operadores do PMDB no esquema de corrupção na Petrobras. Os dois estão presos no Complexo Médico Penal em Pinhais, na região metropolitana de Curitiba.

De acordo com Milton Schahin, duas contrapartidas teriam sido negociadas para garantir a contratação do grupo para operar o navio sonda Vitória 10.000. Uma delas, que teria sido discutida com o ex-tesoureiro do PT João Vaccari Neto, dizia respeito ao perdão de um empréstimo de R$ 12 milhões que o pecuarista José Carlos Bumlai efetuou para o partido.

A segunda negociação envolvia agentes da Petrobras, por intermédio do lobista Jorge Luz. Segundo Milton Schahin, o operador alertou que o contrato não seria consolidado se não fosse articulado com os gestores da estatal.

O empresário diz que iniciou uma negociação com Jorge Luz até chegar ao valor de US$ 2,5 milhões, parcelados. Milton Schahin diz que os valores foram pagos a duas offshores no exterior – Pentagram e Debase. Ele afirma não saber quem eram os beneficiários das contas. Mas afirma ter sido informado por Luz que o dinheiro seria repassado a quatro agentes da Petrobras: o ex-diretor da área Internacional Nestor Cerveró, os ex-gerentes da mesma área Eduardo Costa Vaz Musa e Luis Carlos Moreira, e o lobista Fernando Baiano.

O filho do empresário, Fernando Schahin, também é réu no mesmo processo e foi interrogado. Mas como não firmou acordo de delação premiada, preferiu ficar em silêncio. Os interrogatórios da ação penal serão retomados nesta quarta-feira (19).

Entre os depoimentos previstos estão os do ex-gerente da Petrobras Demarco Epifânio e dos lobistas Jorge e Bruno Luz. Segundo o Ministério Público Federal, pai e filho teriam movimentado 40 milhões de dólares em propinas para beneficiar peemedebistas e agentes públicos em cinco contratos da Petrobras no Brasil e no exterior. Entre os beneficiários, estaria o deputado cassado Eduardo Cunha.

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