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3 filmes para conhecer M. Night Shyamalan

O diretor de “O Sexto Sentido” completa 52 anos neste sábado (6)

 3 filmes para conhecer M. Night Shyamalan

Foto: Divulgação

M. Night Shyamalan nasceu no dia 6 de agosto de 1970 na Índia. Shyamalan é um diretor, roteirista e ator indiano que iniciou sua carreira nos anos 90 e desde então produziu mais de 15 filmes. Apesar de ter nascido na Índia, o diretor se mudou para os Estados Unidos, especificamente para a Filadélfia, quando era menor – inclusive grande parte de seus filmes se passam na cidade. Desde criança Shyamalan já mostrava seu amor pelo cinema filmando filmes caseiros e quando mais velho o diretor entrou na escola de artes NYU. E aos 22 anos dirigiu seu primeiro filme, chamado “Praying With Anger”. O longa é quase autobiográfico, sendo protagonizado pelo mesmo, e conta a história de um adolescente americano de origem indigena.

Conforme os anos passaram o diretor foi criando e firmando certas características em seus filmes, os deixando únicos. Suas grandes inspirações cinematográficas são  Steven Spielberg e Alfred Hitchcock, de quem tirou um dos principais gêneros que gosta de trabalhar: O suspense. O diretor faz uso de longas tomadas em silêncio, o que aumenta a tensão em tela, além de trazer filmes cheios de reviravoltas, sendo esta uma de suas principais características. E, assim como o mestre do suspense, desde seu filme “Olhos Abertos” (1998), Shyamalan faz pequenas aparições em suas obras. Outra característica marcante do diretor é trazer um pouco de humor, o que não deixa o filme tão massante. Além disso, assim como Spielberg, grande parte dos filmes de M. Night Shyamalan retrata aventuras assustadoras, porém juvenis, na maioria das vezes protagonizadas por crianças ou que contenham a presença de jovens.

Em relação às narrativas, a maioria dos filmes do diretor explora o sobrenatural, porém o diretor ainda traz temáticas humanas como família, fé e religião, o que as torna mais realista, conseguindo deixar essas tramas fantásticas mais próximas e palpáveis dos espectadores. Ele ainda faz uso de cores de uma maneira muito criativa, trazendo em cada um dos seus filmes uma cor principal que faz sentido com a narrativa.

Em comemoração ao aniversário de 52 anos do diretor, confira 3 indicações de filmes:

Confira o resumo da matéria:

Sexto Sentido: Disponível no Star+

Foto: Divulgação

O longa acompanha o Dr. Malcolm Crowe (Bruce Willis), um psicólogo que se sente cada vez mais distante de sua esposa Anna (Olivia Williams) após um evento traumático. Visando seguir sua vida após o incidente, Crowe atende o jovem Cole (Haley Joel Osment), um garoto que  é atormentado por alucinações que, segundo sua mãe (Toni Collette), vive em constante pânico.

O longa foi escrito e dirigido por M. Night Shyamalan e foi seu primeiro grande sucesso, sendo inclusive indicado ao Oscar de Melhor Filme, Melhor Direção, Melhor Roteiro Original, Melhor Ator Coadjuvante, Melhor Atriz Coadjuvante e Melhor Montagem. 

O roteiro é muito bem escrito, extremamente inteligente e muito detalhado, dando dicas sutis sobre seu final ao longo de toda trama, permitindo com que o espectador consiga adivinhar o plot twist, mas sem entregar de bandeja e não fornecendo nenhuma informação gratuita, prendendo a atenção do público com o mistério, surpreendendo e arrepiando.

Assim como a maioria dos filmes do diretor, este mantém uma atmosfera fria e aterrorizante, mantendo a tensão e o suspense em todo o minuto. Além disso, o longa ainda consegue assustar sem o uso de atributos genéricos de filmes de terror, como uma trilha sonora arrepiante, se utilizando muito, e trazendo de maneira palpável para o público, principalmente, a experiência do menino Cole, lidando com os terrores de suas alucinações. E, como seu ídolo Alfred Hitchcock, Shyamalan também faz uso de longas cenas em silêncio, o que apenas intensifica essas cenas de tensão. Neste quesito, ainda, a direção impressiona com movimentos de câmera essenciais para criar toda essa atmosfera.

Além disso, por possuir poucos personagens, Shyamalan consegue desenvolvê-los de uma maneira brilhante, fazendo com que o público se importe com eles e ainda sofram com suas dores e medos, tornando os espectadores quase “íntimos” desses personagens. 

Completando esse aspecto a fotografia aposta numa gótica e gélida Filadélfia, sempre coberta por nuvens. Mas, em contrapartida, a fotografia e o design de produção também fazem muito uso da cor vermelha – que claro faz total sentido com a narrativa e também dão dicas sobre o plot twist – que sempre se destaca já que a maioria dos cenários faz uso de cores frias e escuras.

A montagem do filme também merece destaque já que consegue manter um ótimo ritmo ao longo de sua duração sem em nenhum momento se tornar caótico ou perder a sua essência, conseguindo ainda surpreender a cada cena. 

Mas o filme não seria o que ele é se não fosse pelas brilhantes e impactantes atuações de todo o elenco, principalmente Haley Joel Osment e, claro, Bruce Willis. Osment entrega um dos mais memoráveis personagens em filmes de suspense. Falando às vezes como sussurros e muito quieto e introvertido, o garoto consegue aterrorizar qualquer um trazendo seus medos de maneira extremamente realista. Cole é um menino atormentado que esconde todo esse embate interno em sua timidez. O ator traz uma das mais impecáveis performances já vistas no gênero trazendo um personagem perturbado de uma forma muito convincente e humana e sem exageros, e não é atoa que ele é um dos mais jovens atores a serem indicados ao Oscar.

 Além disso, a trama funciona tão bem graças à química entre Willis e Osment, que consegue com facilidade cativar a empatia do espectador. E claro, Bruce Willis traz no longa uma de suas grandes performances com um personagem preocupado e sensível com seu paciente – determinado a ajudá-lo, sem desistir do garoto – e com sua esposa e seu casamento. É uma grande indicação de o ator não ter sido nem indicado ao Oscar de Melhor Ator. Toni Collette também é um destaque, sendo indicada ao Oscar de Melhor Atriz Coadjuvante, trazendo uma mãe muito protetora e humana, extremamente preocupada com seu filho, disposta a mover montanhas para ajudá-lo.

E mesmo com todo o suspense o longa consegue emocionar e surpreender em seu final de maneira icônica. Mesmo relembrado por sua reviravolta, O Sexto Sentido é um longa que vale a pena conferir mais de uma vez devido a seu roteiro cuidadoso e criativo e sua  produção impecável.  

Fragmentado: Disponível na Amazon Prime 

Foto: Divulgação

Kevin (James McAvoy) possui 23 personalidades distintas e consegue alterá-las quimicamente em seu organismo apenas com a força do pensamento. Um dia, ele sequestra três adolescentes que encontra em um estacionamento. Vivendo em cativeiro, elas passam a conhecer as diferentes facetas de Kevin e precisam encontrar algum meio de escapar.

A sequência de “Corpo Fechado” foi o que trouxe M. Night Shyamalan de volta ao sucesso após diversas críticas negativas. O longa é um dos mais excelentes longas de suspense, trabalhando perfeitamente com a construção de tensão em cenas que arrepiam e amedrontam. Além disso, o diretor cria com perfeição uma atmosfera claustrofóbica que passa ao público a mesma sensação que as meninas sentem encarceradas e que o próprio Kevin – sua personalidade “original” que vive preso pelas outras.

Essa angústia é acentuada pela direção de Shyamalan que traz uma câmera fechada e cenas seguindo os longos corredores transportando o espectador para aquela prisão. Além disso, Shyamalan ainda faz uso de diversos planos que causam cada vez mais estranhamento. O diretor ainda surpreende filmando cada uma das personalidades de Kevin de uma maneira diferente, o que ajuda o público a não se perder. Ao contrário de O Sexto Sentido, a cor de destaque é o amarelo, que remete uma sensação de angústia e agonia.

E, apesar de possuir o aspecto sobrenatural do diretor, o roteiro fragmentado foca muito em questões realistas, próximas da realidade, como o sequestro das garotas, o que deixa o longa ainda mais assustador.

Anya Taylor Joy, que interpreta a principal das garotas sequestradas, é um dos grandes trunfos do longa com uma personagem introvertida e intimista, visivelmente traumatizada. Taylor Joy traz uma convincente e humana performance que fascina e facilmente cativa a empatia do público.

Mas o verdadeiro destaque é James McAvoy. A atuação de McAvoy no filme é no mínimo impressionante e é o grande mérito da obra. O ator vive no longa diversas personalidades/personagens diferentes e faz tudo isso sem o uso de maquiagens, alterando de cada personagens seus jeitos, manias, tom de voz e vocabulários. Cada uma das personalidades de Kevin é de certa forma excêntrica, única e distinta, e em alguns momentos do filme ele até troca a personalidade na mesma sequência do filme, sem alterar o figurino (o que antes também ajudava a reconhecer as personalidades, mas que não se tornava essencial), em algumas cenas é possível descobrir a personalidade apenas por seu suspiro . E claro, McAvoy vive o personagem Kevin, que sabe da existência de suas outras personalidades e vive atormentado e em constante medo delas.

Apesar de todos seus fatores positivos, o filme foi completamente esnobado na premiação do Oscar, não recebendo nenhuma indicação. Assustador e envolvente, Fragmentado  traz uma narrativa cativante e interessante recheada de brilhantes e impecáveis atuações.

A Visita: Disponível pelo Youtube

Foto: Divulgação

O longa acompanha Becca (Olivia DeJonge) e seu irmão Tyler (Ed Oxenbould) durante uma visita na casa de seus avós (Deanna Dunagan e Peter McRobbie), os quais as crianças nunca conheceram devido brigas entre eles e a mãe dos meninos (Kathryn Hahn). As crianças vivem alguns dias felizes com os avós até que começam a estranhar o comportamento dos adultos. 

Neste filme a comédia é mais presente do que nas outras obras do diretor, grande parte disso é gerado por ele ser protagonizado por duas crianças cheias de personalidades. DeJonge e Oxenbould trazem engraçadas cenas com uma relação muito convincente entre dois irmãos. 

O roteiro do filme também ajuda nesses fatores com uma história muito dinâmica com um ritmo acelerado, ainda trazendo diálogos divertidos e provocadores entre os dois irmãos, o que prende a atenção do público e também cativa a empatia da audiência pelos personagens.

Um dos grandes destaques do filme é a maneira como ele foi gravado. Becca tem o sonho de ser cineasta, então todo o longa se passa a partir do ponto de vista de sua câmera – como se o espectador estivesse assistindo a filmagem bruta do documentário produzido por ela, transformando a câmera em um dos personagens, o que deixa o filme muito imersivo. Vale destacar também a performance da atriz mirim Olivia DeJonge que interpreta com naturalidade uma personagem de forte personalidade e muito ambiciosa. 

Apesar de incluir aspectos estranhos característicos do diretor, o filme é voltado para as relações familiares e as próprias sensações, trazendo um maior realismo. Além disso, a grande reviravolta do longa também é mais simples e menos complexa do que os outros trabalhos do diretor, o que o deixa menos massante.

A visita é um filme criativo e envolvente que consegue transportar com excelência para a trama garantindo uma obra muito imersiva, leve,  divertida e arrepiante.

Por Carolina Genez com supervisão de Angela Luvisotto

carolina.genez

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