Acusado de matar Tatiane Spitzner irá a júri popular

(Foto: reprodução/Facebook)

A Justiça decidiu sexta-feira (17) levar a júri popular o biólogo Luis Felipe Manvailer, acusado de matar a própria esposa, a advogada Tatiane Spitzner, em Guarapuava, em julho do ano passado.

A juíza Paola Mancini de Lima, da 2ª Vara Criminal de Guarapuava, entendeu que a materialidade dos crimes ficou comprovada e que há fortes indícios de que o biólogo tenha cometido o crime. Tatiane Spitzner tinha 29 anos.

Segundo a denúncia, ela foi asfixiada pelo marido e seu corpo foi jogado pela sacada do apartamento onde morava, após uma briga entre o casal.A defesa nega o crime e sustenta a tese de suicídio. Manvailer será julgado pelos crimes de homicídio qualificado por motivo fútil, uso de meio cruel e feminicídio, além de fraude processual por ter retirado o corpo da vítima da calçada e limpado vestígios de sangue.

A juíza arquivou, porém, a acusação de cárcere privado, por entender que não havia provas suficientes de que ele praticou o crime. A sentença da magistrada tem 72 páginas, e inclui os depoimentos de testemunhas, familiares do casal e imagens de câmeras de segurança que flagraram a briga entre os dois, minutos antes da morte. A juíza destaca que moradores do prédio em que eles moravam “foram unânimes ao relatar uma acalorada discussão” entre os dois, momentos antes da queda.

Para a juíza, a tese apresentada pela defesa, de que Tatiane teria cometido suicídio, “não é capaz de rechaçar a tese acusatória”. Mancini ainda afirma na sentença que não foram trazidas provas cabais de inocência do réu. Mas ela destacou que a decisão não representa um juízo de certeza sobre o crime, e sim de suspeita. Agora, caberá ao júri popular decidir se Manvailer é culpado ou não. A data do julgamento ainda não foi marcada. Nas redes sociais, a família de Tatiane afirmou que “a luta continua”, em uma página mantida em homenagem à advogada.

O advogado Gustavo Scandelari, que representa a família, diz que a defesa deve recorrer da absolvição de Manvailer do crime de cárcere privado. Mas, para a família da advogada, a decisão foi considerada um primeiro passo para a justiça.

Manvailer está preso preventivamente na Penitenciária Industrial de Guarapuava. Ele afirmou à Justiça ser inocente, e que nunca teve histórico de agressão. A defesa do biólogo informou em nota que demonstrará oportunamente a inocência de seu cliente.

Reportagem: Estelita Carazzai