Alvos da 59ª fase da Lava Jato devem ser ouvidos até amanhã

Vencem até o meio da semana as prisões temporárias da ação mais recente da Lava Jato. A Polícia Federal formalizou a abertura de um inquérito para concluir as investigações relacionadas à 59ª. fase, desencadeada na semana passada. São investigados 36 contratos assinados pelo Grupo Estre com subsidiárias da Petrobras. Todos os alvos de mandados de prisão estão detidos temporariamente na sede da superintendência da PF em Curitiba. O ex-executivo do grupo, Antônio Kanji, que estava foragido, se entregou às autoridades. Todos os alvos devem ser ouvidos nos próximos dias, visto que o prazo de vencimento das prisões se aproxima.

A instauração do inquérito, confirmada por meio do sistema eletrônica da Justiça Federal pelo delegado Christian Robert Wurster, responde a um questionamento da juíza substituta Gabriela Hardt. Atual responsável pelos processos que tramitam na 13ª Vara Federal de Curitiba, a magistrada questionou a Polícia Federal sobre a ausência de uma investigação formal. Gabriela Hardt ainda lembrou que há investigados presos temporariamente, portanto Polícia e Ministério Público Federal devem respeitar os prazos legais para finalizarem as investigações.

Além do ex-executivo do Grupo Estre Antônio Kanji, também estão detidos ex-presidente do grupo Wilson Quintella Filho e o advogado Mauro de Morais, suspeito de atuar como operador financeiro. Os três alvos da 59ª. fase da Lava Jato tiveram até R$ 20 milhões bloqueados pelo Banco Central a pedido da Justiça. O bloqueio tem o objetivo de garantir a devolução dos valores, caso sejam comprovadas as suspeitas que motivam a prisão dos investigados.

De acordo com o ex-presidente da Transpetro – subsidiária da Petrobras para a área de transporte – esse núcleo de desvios de recursos públicos funcionou de 2008 a 2014. Segundo José Sérgio de Oliveira Machado (MDB), delator da Lava Jato, 1% de todos os contratos assinados pela Transpetro com o Grupo Estre eram distribuídos em propinas, que ultrapassam os R$ 20 milhões. Os valores eram pagos em São Paulo e no Rio de Janeiro, inclusive com a ajuda de um filho do ex-ministro de Minas e Energia Edison Lobão (MDB).

Reportagem: Angelo Sfair