Ao deixar a prisão, Lula agradece os 580 dias de Vigília e faz críticas a Bolsonaro e Moro

Colaboração / Plínio Lopes

Ao deixar a sede da Polícia Federal em Curitiba no final da tarde desta sexta-feira (8), o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva foi acompanhado por uma multidão e caminhou com dificuldade até um palanque montado no terreno da Vigília Lula Livre. Em um discurso de aproximadamente 20 minutos, ele agradeceu, nominalmente, a dezenas de pessoas que o acompanharam desde que foi preso, em 7 de abril de 2018, há um ano e sete meses.

Ao mesmo tempo em que criticou o governo Jair Bolsonaro, integrantes da Lava Jato na Polícia Federal e Ministério Público Federal e, especialmente o ministro Sérgio Moro, disse que tem no coração sentimento de amor e não de ódio.

Brevemente, Lula também fez críticas a problemas sociais que os brasileiros vêm enfrentando e que disse terem se agravado depois da eleição do presidente Bolsonaro.

Em alguns momentos de descontração, fez algumas brincadeiras, como quando apresentou a namorada, a socióloga Rosangela da Silva, conhecida como Janja.

Colaboração / Plínio Lopes

Lula foi beneficiado pelo julgamento do Supremo Tribunal Federal que declarou inconstitucional a prisão de réus condenados em segunda instância. Como não havia contra ele nenhuma ordem de prisão preventiva, o reconhecimento do direito de ser solto foi quase automático. A decisão, do juiz titular da 12.ª Vara Federal de Curitiba, Danilo Pereira Junior, foi publicada às 16h17 desta sexta-feira (8) e logo em seguida foi expedido o alvará de soltura. Ele determinou que os advogados e as autoridades públicas discutissem medidas para garantir segurança e o cumprimento da ordem judicial. Ainda que a defesa tenha comemorado a liberdade do ex-presidente, o advogado Cristiano Zanin diz que a meta é garantir a anulação do processo contra Lula.

O juiz que concedeu o alvará não impôs nenhuma medida cautelar ao ex-presidente. Ao sair do prédio da Polícia Federal, por volta das 17h40, ele foi acolhido por amigos, líderes do Partido dos Trabalhadores e familiares, como a filha Lurian Lula da Silva. O destino dele depois de deixar a prisão foi mantido em sigilo. Lula participa neste sábado (9) de um ato público no Sindicato dos Metalúrgicos de São Bernardo do Campo, no Grande ABC Paulista. A concentração está marcada para começar ao meio-dia.

Manifestantes

A movimentação em frente à sede da Polícia Federal, em Curitiba, ficou mais intensa após às quatro e meia da tarde dessa sexta, depois que foi confirmado que a Justiça tinha autorizado a libertação do ex-presidente Lula. Diversos manifestantes chegaram até o local com camisetas e bandeiras em apoio ao ex-presidente. Diversos cânticos também foram ecoados na Vigília Lula Livre ao longo da tarde.

Havia a expectativa que Lula fosse até o local porque, durante o período em que ficou preso, em entrevistas de dentro da Polícia Federal, o ex-presidente já tinha declarado que quando saísse da prisão a primeira coisa que faria seria se dirigir a Vigília Lula Livre. E foi, justamente no espaço montado pela Vigília que o ex-presidente falou com o público quando saiu da prisão.

A estudante de geografia, Jaqueline dos Passos, saiu da faculdade e chegou na sede da Polícia Federal por volta das cinco da tarde. Ela ficou próximo do portão por onde o ex-presidente saiu e mesmo com a grande quantidade de pessoas conseguiu tirar uma foto com ele.

O funcionário público Diego Miranda chegou à sede da Polícia Federal durante a fala do ex-presidente Lula. Ele disse que foi até o local porque considerou que é um momento histórico para o país.

A Vigília acompanhou todo o período em que o ex-presidente ficou preso em Curitiba e chegou a mudar de local. Os acampados, que haviam alugado um terreno a cerca de dois quilômetros da Superintendência, deixaram o imóvel no final de outubro de 2018, poucos dias antes do segundo turno das eleições.

Durante todo o período que o ex-presidente ficou preso em Curitiba houve programação diária de atos que pediam a libertação de Lula. A Vigília Lula Livre deve ser mantida, pelo menos por enquanto. Na semana que vem a equipe vai se reunir para decidir o que fazer com o movimento. No domingo, às cinco horas da tarde, vai haver um ato inter-religioso no local.

Reportagem: Lenise Klenk / Lorena Pelanda / Angelo Sfair / Thaissa Martiniuk / Felipe Harmata