Com o dólar perto dos R$ 4, o perfil do turista de Foz do Iguaçu e da região de fronteira muda

(Foto: divulgação/DNIT)

A Receita Federal apreendeu 80 milhões de dólares em mercadorias na região da ponte da Amizade, em Foz do Iguaçu, no Oeste do Estado, no ano de 2018. O número é praticamente o mesmo de 2017 quando foram 79 milhões de dólares em apreensões. Em 2016 o número foi menor. Foram 60 milhões de dólares em mercadorias. O maior aumento de apreensões foi o de brinquedos, com crescimento de 43%. Em compensação, o número de eletrônicos apreendidos diminuiu 39% no ano passado. Mas há um motivo. 

Em 2018 a Receita Federal decidiu separar o registro de telefones apreendidos, dos produtos eletrônicos. Agora há uma estatística em separado só para os celulares. Somente em telefones foram 6 milhões e meio de dólares em apreensões no ano passado. Essa cifra corresponde a pouco mais da metade do que foi apreendido em eletrônicos, que ficou com 11 milhões de dólares em 2018.

Com relação ao movimento na Ponte da Amizade, uma pesquisa do Centro Universitário Dinâmica das Cataratas mostra que quase 70% das pessoas que atravessam a ponte são do Estado do Paraná e 12% são de outros países. Só depois aparecem visitantes de outros Estados do Brasil. Os principais motivos da visita são: compras, turismo e negócios que aparecem como os principais motivos na pesquisa.

A atenção é dividida entre os três, o que mostra que o Paraguai não é mais procurado somente por causa do comércio. Com o dólar na casa dos R$3,85 um questionamento que fica é se vale a pena ir para o Paraguai para comprar produtos mais baratos.

Para tentar entender isso, a BandNews FM fez um teste com relação ao preço de um celular de última geração. O que percebemos é que quanto mais caro é o produto, mais vale a pena comprar no Paraguai.

A versão top de linha dele é encontrada no Brasil por 7 mil e 700 reais. O mesmo aparelho, já convertido para reais, custa cerca de 5 mil e 500 reais em lojas do Paraguai. 2200 reais a menos, uma diferença de 40% no preço. Nós fizemos o mesmo teste com um celular mais barato, que custa, em média 1250 reais, no Brasil.

No Paraguai ele é encontrado por 980 reais. Ele também é mais barato, mas a diferença é menor, é de 25 por cento. Mas esse valor não pode ser visto de forma isolada. É preciso somar outros custos. Segundo o economista do Conselho Regional de Economia do Paraná, Carlos Magno, é preciso pensar no custo da viagem, hospedagem e outros custos, além do valor do câmbio.

A cota permitida é de 300 dólares em via terrestre e de 500 dólares para via aérea. Se a compra não for em dinheiro, existem ainda outros custos como a taxa do cartão de crédito, que pode aumentar o preço final do produto.

A cidade de Foz do Iguaçu percebeu que por isso o perfil do turista da cidade mudou nos últimos anos. Agora o visitante é mais interessado em eventos, viagens relacionadas a ecoventura e a compra de produtos mais caros. Segundo o secretário de turismo, indústria, comércio e projetos estratégicos de Foz do Iguaçu, Gilmar Piolla, o chamado turismo de sacoleiros aos poucos foi sendo substituído pelo turismo de luxo.

Outra mudança tem a ver com o perfil do turista, que agora prefere viajar de avião e também quer conhecer destinos dentro do país, o que faz aumentar a busca por Foz.

O número de visitas a Foz do Iguaçu aumentou 6 por cento em 2018. Foram mais de um milhão e oitocentos e noventa e dois mil turistas. Só em janeiro e fevereiro desse ano já foram 373 mil visitantes.

Reportagem: Felipe Harmata

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