Defesa Odebrecht apresenta e-mails que comprovariam a influência de Lula mesmo após término do mandato

 

A defesa do empresário Marcelo Odebrecht apresentou ao juiz Sérgio Moro, nesta quarta-feira (28), novas cópias de e-mails armazenados no computador dele – apreendido pela força-tarefa da Lava Jato. A defesa sustenta que as mensagens sugerem a influência do ex-presidente Lula e a interlocução dele em diversos temas, mesmo após o fim do segundo mandato, a partir de 2011.

De acordo com a defesa de Marcelo Odebrecht, os e-mails comprovam pedidos de ajuda financeira para terceiros, que direta ou indiretamente beneficiaram Lula; o empreiteiro faz referência ao Sítio de Atibaia, ao filme ‘Lula, o filho do Brasil’, ao repasse de recursos ao irmão, sobrinho, entre outros. Ainda segundo a defesa de Marcelo Odebrecht, um email de junho de 2011 reforça o conhecimento de Lula sobre uma ‘conta-corrente’ mantida para o codinome ‘italiano’, que seria referência ao ex-ministro Antônio Palocci.

Outras mensagens, entre dezembro de 2010 e janeiro de 2011, contêm citações diretas ao Sítio de Atibaia; para a defesa de Marcelo Odebrecht, isso demonstra que o delator tomou conhecimento sobre o assunto apenas ao final, na fase de conclusão e entrega da obra. Um email de agosto de 2012 trata de um débito de 15 milhões de reais. Segundo o empreiteiro, o valor foi combinado com Antônio Palocci para cobrir acertos financeiros diversos em benefício de Lula; incluindo palestras e frete de aeronave.

Em nota, a defesa do ex-presidente informou que vai pedir a análise da autenticidade e veracidade do material apresentado. Para o advogado Cristiano Zanin, os e-mails não mudam o fato de que Lula jamais solicitou ou recebeu da Odebrecht ou de qualquer outra empresa algum benefício ou favorecimento.

A defesa avalia ainda que o material é contraditório com o depoimento de Marcelo Odebrecht na delação premiada e em ação penal. O advogado de Lula também lembra que documentos atribuídos à Odebrecht foram adulterados, conforme laudo da Polícia Federal de sexta-feira (23). O juiz Sérgio Moro ainda não se manifestou sobre a juntada dos e-mails ao processo.

Nesta ação penal, Lula é acusado de receber vantagens indevidas da OAS e da Odebrecht por meio de reformas no Sítio Santa Bárbara, em Atibaia, no interior de São Paulo. As melhorias no imóvel teriam custado cerca de um milhão de reais, segundo a denúncia do Ministério Público Federal. O juiz Sérgio Moro retoma os depoimentos das testemunhas de acusação no dia 14. Vão ser ouvidos o ex-senador Delcídio do Amaral e o ex-executivo da Petrobras, Nestor Cerveró, delatores da Lava Jato.