Depois de nove anos, ex-deputado foi condenado pela morte de dois jovens em acidente de trânsito em Curitiba

(Foto:Douglas Santucci/ Band TV)

Nove anos depois de provocar um acidente de trânsito em Curitiba, o ex-deputado estadual Luiz Fernando Ribas Carli Filho foi condenado a 9 anos e 4 meses de prisão, em regime fechado. Ele foi submetido a um júri popular pela morte dos jovens Gilmar Rafael Yared, de 26 anos, e Carlos Murilo de Almeida, de 20.

A pena foi imposta pelo juiz Daniel Ribeiro Surdi de Avelar, titular da 2.ª Vara Privativa do Tribunal do Júri, depois que os sete jurados responderam aos questionamentos que levaram à condenação. Presente durante todo o julgamento, Carli Filho saiu do tribunal acompanhado da família e vai recorrer da decisão em liberdade. O júri começou na terça-feira (27) e se encerrou por volta das 17h30 desta quarta-feira (28).

Os jurados reconheceram, em primeiro lugar, a materialidade do fato, ou seja, que o acidente ocorreu e que resultou na morte dos dois jovens, no dia 7 de maio de 2009, em Curitiba. Em seguida, reconheceram que o acusado era quem dirigia o Passat Variant que bateu no Honda Fit, ocupado pelas duas vítimas.

Na terceira pergunta, o Conselho de Sentença confirmou a tese da acusação de duplo homicídio com dolo eventual, ou seja, que Carli Filho assumiu o risco de matar. Ele mesmo chegou a admitir que consumiu bebida alcoólica em um restaurante naquela noite, antes de sair dirigindo.

A última pergunta era se o júri absolvia o acusado. A decisão foi pela condenação. Os jurados decidiram ainda condenar Ribas Carli por um crime conexo, que é o de violação da suspensão de habilitação para dirigir carro, uma vez que o ex-deputado tinha a carteira suspensa por 22 autuações por excesso de velocidade.

Mas como a pena seria de apenas 8 meses, o juiz declarou a prescrição retroativa do delito e extinguiu a possibilidade de punição. O veredito foi anunciado pelo juiz Daniel Ribeiro Surdi de Avelar.

Ao apresentar o cálculo da pena, o juiz ressaltou o fato de Ribas Carli ser, na época do acidente, um deputado estadual e as responsabilidades que o cargo impõe.

Na noite do acidente, Carli Filho estava em um restaurante onde encontrou um casal de amigos. Depois de beberem quatro garrafas de vinho, o ex-deputado recusou uma carona. O juiz Surdi de Avelar considerou como agravante o fato de Carli Filho ter ignorado pedidos insistentes para que não dirigisse.

Outro agravante da pena foi o excesso de velocidade. Surdi de Avelar disse que o processo provou que no dia do acidente Carli Filho dirigia acima dos limites prudentes e legais para uma via urbana.

Depois da leitura detalhada de todos os agravantes e atenuantes considerados, o juiz anunciou a pena definitiva de 9 anos e 4 meses de prisão.

Por fim, o juiz disse que o caso de crime de trânsito julgado, que envolveu três famílias, não será sozinho suficiente para promover uma nova cultura de trânsito. Mas disse esperar que uma mudança esteja sendo construída por meio de leis republicanas e da educação.

Ao voltar ao auditório para acompanhar a leitura do veredito, Luiz Fernando Ribas Carli Filho balançava negativamente a cabeça. Ao final do julgamento, foi longamente abraçado por advogados e também por familiares e amigos que acompanharam os dois dias do júri popular.

Familiares das vítimas também estavam comovidos. Na plateia, apenas algumas palmas foram ouvidas depois de lido o veredito, mas não houve nenhuma reação mais efusiva. A defesa de Luiz Fernando Ribas Carli Filho promete recorrer da decisão. Os assistentes de acusação disseram que não vão entrar com recursos para aumentar a pena.