Emílio Odebrecht diz que ‘não tinha como negar’ reformas no Sítio de Atibaia

O empresário Emílio Odebrecht afirmou em interrogatório, nesta quarta-feira (07), que autorizou pessoalmente a reforma do sítio de Atibaia, atribuído ao ex-presidente Lula. O patriarca da empreiteira responde ao processo junto com Lula e outras 11 pessoas. A ação penal apura se o ex-presidente teria recebido vantagens indevidas por meio das benfeitorias no sítio de Atibaia. Emílio Odebrecht afirmou que o pedido para a execução das obras partiu da ex-primeira-dama Marisa Letícia, que morreu em fevereiro do ano passado.

Como é delator, o réu não pode ficar em silêncio no interrogatório. Quem apresentou os detalhes da reforma foi o ex-executivo da Odebrecht, Alexandrino de Alencar, que também responde ao processo. A propriedade sempre foi tratada dentro da empreiteira como se pertencesse a Lula. O serviço foi estimado, inicialmente, em torno de meio milhão de reais e chegou aos 700 mil.

Emílio Odebrecht contou que a reforma do sítio de Atibaia seria uma contrapartida, diante da relação de vários anos entre ele e o ex-presidente Lula.

O ex-diretor da Odebrecht disse que o pedido de Marisa foi feito durante uma festa em comemoração ao aniversário do ex-presidente, em 2010. Segundo o delator, não houve nenhum contato com Lula a respeito da reforma no sítio de Atibaia. O recurso para a obra, de acordo com Alexandrino de Alencar, saiu ‘de uma contabilidade da engenharia’ da Odebrecht.

Com o afastamento do juiz Sérgio Moro da 13ª Vara Federal de Curitiba, a juíza Gabriela Hardt é quem segue com as audiências do processo. O empresário Marcelo Odebrecht também foi interrogado nesta quarta-feira (07). Ele contou que foi contrário a participação da empreiteira na reforma do sítio de Atibaia.

O ex-presidente Lula vai ser interrogado na próxima quarta-feira (14). Depois de ouvir todos os réus, a juíza abre o prazo para entrega das alegações finais do Ministério Público Federal, assistente de acusação e defesas dos réus. Esta é a última fase antes da sentença. A força-tarefa da Lava Jato afirma que Lula seria responsável por comandar uma sofisticada estrutura ilícita para captação de apoio parlamentar e teria recebido mais de 800 mil reais em vantagens indevidas na reforma, construção de anexos e outras benfeitorias no sítio de Atibaia.

O ex-presidente foi denunciado em maio do ano passado e se tornou réu cerca de três meses mais tarde. Lula foi detido no último dia 7 de abril, condenado a mais de 12 anos de prisão no processo do triplex do Guarujá.

Reportagem: Cleverson Bravo/Thaissa Martiniuk/Juliana Goss

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