Escrevente relata que elaborou minuta de venda do sítio de Atibaia para o ex-presidente Lula.

(Foto: Ricardo Stucker/Instituto Lula)

Um cartorário afirmou ontem (21), em depoimento ao juiz Sérgio Moro, que produziu uma minuta de escritura do sítio de Atibaia, alvo da Lava Jato, em nome do ex-presidente Lula. João Nicola Rizzi foi ouvido como testemunha no processo em que Lula é acusado de ter sido beneficiado indevidamente pelas empresas Odebrecht, OAS e Schahin, por meio de reformas realizadas no sítio. Segundo o escrevente, o documento foi elaborado a pedido do advogado Roberto Teixeira, amigo de Lula e réu no mesmo processo.

O sítio está em nome dos empresários Fernando Bittar e Jonas Suassuna. Para o Ministério Público Federal, o verdadeiro proprietário é o ex-presidente Lula. No depoimento, o cartorário confirmou as informações prestadas à Procuradoria. Segundo a testemunha, a intenção de Lula era comprar o sítio de Atibaia.

De acordo com o Ministério Público Federal, as reformas teriam beneficiado o ex-presidente Lula como contrapartida aos negócios firmados com a Petrobras. As reformas teriam custado cerca de um milhão de reais. Mais uma vez, o advogado Cristiano Zanin afirmou que a Procuradoria conduziu o depoimento sem se ater aos fatos narrados na acusação.

Ontem (21), o executivo Fernando Schahin também prestou depoimento como testemunha de acusação no processo. Ele afirmou que o ex-presidente Lula ‘abençoou’ o acordo fechado entre a Petrobras e o Grupo Schahin, para a operação de um navio sonda. A informação teria sido repassada pelo pecuarista José Carlos Bumlai. Segundo o Ministério Público Federal, o contrato foi firmado para quitar uma dívida que o Partido dos Trabalhadores tinha com o Grupo Schahin.

Pela denúncia, Bumlai fez um empréstimo de doze milhões de reais, no banco do Grupo Schahin, e repassou os valores para o PT. A dívida foi quitada com o contrato de operação do navio sonda. A testemunha não soube dizer se o ex-presidente Lula tomou alguma atitude prática para confirmar a anuência do acordo com a Petrobras.

Os depoimentos de testemunhas de acusação seguem até 26 de março. Depois, são ouvidas as testemunhas de defesa. O interrogatório dos réus ainda não foi agendado. Além do ex-presidente Lula, também são acusadas na ação penal mais doze pessoas. Segundo o Ministério Público Federal, os recursos para a reforma no sítio de Atibaia vieram de oito contratos da Petrobras.

Quatro deles com a Odebrecht, três com a OAS e um com a Schahin. A defesa de Lula afirma que o ex-presidente jamais praticou qualquer ato em benefício de empreiteiras durante o período em que ocupou o cargo de Presidente da República e tampouco recebeu qualquer vantagem indevida na forma da compra de bens ou em reforma de imóveis. Os advogados dizem que Lula também não é e jamais foi proprietário do sítio de Atibaia; ele apenas frequentou o local, com familiares, como convidados da família Bittar – em razão de uma amizade de mais de 40 anos.