Ex-ministro José Dirceu está preso no Complexo Médico Penal junto com outros réus da Lava Jato

(Foto: Thaissa Martiniuk/BandNews Curitiba)

Depois de passar a primeira noite na carceragem da Polícia Federal, o ex-ministro José Dirceu passou por exame de corpo delito no IML de Curitiba, na manhã desse sábado(18) e foi transferido para o Complexo Médico Penal, em Pinhais, região metropolitana de Curitiba, onde já esteve detido por 1 ano e 8 meses e pra onde volta para cumprir pena com outros réus da Lava Jato. A ordem de prisão foi expedida depois que o TRF rejeitou na semana passada embargos declaratórios apresentados pela defesa, que pedia a prescrição da pena de 8 anos e 10 meses na segunda condenação do ex-ministro na Lava Jato.

O juiz Luís Antônio Bonat, da 13.ª Vara Federal de Curitiba, responsável pelas ações penais da operação, havia determinado que Dirceu se entregasse até às 16h de sexta-feira. Mas, José Dirceu chegou a PF por volta das 21h30. A defesa do ex-ministro justificou o atraso, alegando que a viagem de 1.300 quilômetros entre Brasília e Curitiba feita de carro foi prejudicada pelo mau tempo. Ele chegou a PF em um carro sem película nos vidros.  Ele estava no banco do carona, ao lado do motorista, e falava ao celular. Dirceu não escondeu o rosto e foi visto por apoiadores que estavam no portão da superintendência da Polícia Federal.

Dirceu saiu às 5h da manhã de Brasília, onde mora atualmente. Um acidente na rodovia BR-116, que provocou congestionamento no começo da tarde, seria um dos motivos do atraso. Logo que percebeu que o cronograma de viagem mudaria, a defesa do petista avisou a Justiça Federal no Paraná.

Ao saber da ordem de prisão, o ex-ministro José Dirceu gravou na noite desta quinta-feira (16) uma mensagem em áudio dirigida aos amigos. Ele disse que se preparou para o momento e que tem esperança de reverter a decisão.

O ex-ministro escreveu o livro “Zé Dirceu – Memórias Volume 1” no período de um ano e nove meses em que esteve preso na região de Curitiba.

A obra alcançou as listas de mais vendidos do país em setembro, com tiragem de 30.000 exemplares. As memórias vão até 2006, abrangendo o processo do Mensalão e a cassação de Dirceu como deputado federal. Agora, ele promete ocupar novamente parte do tempo na prisão para escrever o segundo volume.

Ele diz que o livro é uma forma de se defender e dedica a obra à militância do PT, assim como ao ex-presidente Lula. Na mensagem que gravou antes de se entregar, José Dirceu incentiva a militância e diz que há um vulcão em erupção no Brasil.

A defesa do ex-ministro José Dirceu ainda pode recorrer da condenação nos tribunais superiores. Mas pelo menos por enquanto prevalece o entendimento de que condenados em segunda instância devem passar a cumprir provisoriamente a pena.

(Vídeo: Thaissa Martiniuk/BandNews Curitiba)

Reportagem: Thaissa Martiniuk/Lenise Klenk/Taís Santana/Cleverson Bravo