Ex-secretário da Administração chama contrato com a JMK de ‘muito mal feito’

Foto: Kleyton Presidente/Alep

A Comissão Parlamentar de Inquérito da JMK volta a se reunir, na Assembleia Legislativa do Paraná, nesta quarta-feira (21), às nove da manhã. A CPI apura a denúncia de irregularidades na manutenção da frota dos veículos do Estado.

Até agora, a Comissão já se reuniu doze vezes. Nesta terça-feira (20), os deputados ouviram o ex-secretário da Administração e da Previdência, Fernando Ghignone. Ele esteve à frente da pasta entre junho de 2017, no final do segundo mandato do ex-governador Beto Richa, até dezembro do ano passado, quando Cida Borghetti deixou o cargo. No depoimento à CPI da JMK, o ex-secretário da Administração chamou o contrato de manutenção da frota de ‘muito mal feito’ e disse que faltou ‘cuidado’ por parte da Procuradoria Geral do Estado.

No ano passado, Ghignone chegou a assinar um aditamento do acordo com a JMK. Na CPI, o ex-secretário da Administração disse que ‘não havia condições para uma nova licitação’, mas ressaltou que o contrato permitia a prorrogação do acordo. Segundo Ghignone, quando ele assumiu o cargo, a ex-secretária Marcia Carla Pereira Ribeiro relatou problemas com a JMK.

No entanto, àquela altura, as exigências do contrato vinham sendo cumpridas.

O ex-secretário da Administração disse aos deputados que, no decorrer da gestão dele, foram abertos cinco processos administrativos contra a JMK.

Segundo Ghignone, em todas as oportunidades a empresa sanou os problemas. O relator da CPI, Delegado Jacovós, do PR, destacou que o depoimento do ex-secretário reforça as suspeitas em relação ao contrato.

Nesta terça-feira (20), também foram ouvidos dois servidores. Eles eram responsáveis pela gestão da frota de veículos do setor administrativo da Secretaria de Segurança Pública. Nesse caso, eram de dez a doze veículos e, segundo os funcionários, não houve registro de problemas com os serviços da JMK.

O presidente da CPI, Soldado Fruet, do PROS, destaca que havia desvio de finalidade, em cargos técnicos, previstos no contrato.

A JMK é suspeita de ter desviado 125 milhões de reais dos cofres públicos, em um esquema criminoso que teria envolvido falsificação e adulteração de orçamentos de oficinas mecânicas, para elevar o valor do serviço prestado.

A empresa diz que o contrato era de gestão compartilhada, argumenta que o Estado não repassava a verba para custear a manutenção, e que a responsabilidade de fiscalização era do governo.

Reportagem: Cleverson Bravo/Lenise Klenk

Foto: Kleyton Presidente/Alep