Mesmo com reforma, vagas temporárias ainda são menores que em 2014 no Paraná

O Paraná deve criar 32 mil vagas de trabalho temporário até dezembro. O número deste ano é maior que do ano passado, quando foram contratados 29,2 mil temporários, mas ainda é menor que em 2014, quando foram contratadas 37 mil pessoas no Estado. Os números são da Associação Brasileira do Trabalho Temporário. Com a reforma trabalhista aprovada no ano passado, o prazo do contrato temporário aumentou de 90 para 180 dias, podendo ser prorrogado por mais até 90 dias.

Ou seja, o trabalhador pode ficar até nove meses como temporário. A oscilação da criação de vagas de 2015 para cá é quase imperceptível. Em 2014, considerado o primeiro ano da crise, foram criadas 37 mil vagas temporárias; em 2015, 32 mil; em 2016, 35 mil; em 2017, 29 mil; e agora 32 mil. A mudança na lei trabalhista ainda não é percebida, principalmente porque a associação não tem uma estimativa, por exemplo, de quantos dos cargos temporários substituíram efetivos.

Ou seja, se o fenômeno ocorreu, a comparação com anos anteriores não poderia ter sido feita. Para a porta-voz da associação, Vânia Motta, que trabalha em uma empresa de recrutamento de terceirizados e temporários, os empresários foram beneficiados e ainda não tem conhecimento da lei. Por isso, o número de contratações não teria sofrido grandes mudanças em relação a anos anteriores.

A associação não forneceu os números de contratações de antes de 2014. Para a porta-voz da associação, o trabalhador que costuma ocupar as vagas temporárias tem vantagem de poder ficar por mais tempo. Vânia Mota acredita que isso dá chance para que pessoas desempregadas voltem ao mercado de trabalho.

Neste ano, a estimativa da associação, feita com base na média dos anos anteriores, é de que 8% dos temporários sejam efetivados.

O professor de Direto do Trabalho, Sandro Lunard, da Universidade Federal do Paraná, reforça que o trabalho temporário é uma forma de terceirização. Duas leis alteradas no ano passado flexibilizaram as regras para as empresas, especialmente em relação ao prazo e à atividade fim.

Com a nova lei das terceirizações, segundo o professor, na prática, qualquer terceirizado torna-se temporário. A modalidade, chamada trabalho temporário, continua existindo, apenas porque as empresas, de fato, tem necessidade de contratação maior em determinados períodos.

A maior parte dos contratos temporários será na indústria. No Paraná, o agronegócio ainda é o setor que mais emprega por períodos limitados. Em todo o país, as indústrias farmacêutica, química e de alimentos estão entre as que mais vão precisar de mão de obra até o fim do ano.

O Paraná tem atualmente 623 mil desempregados. A taxa de desocupação no Paraná é de 8,9%, segundo a atualização mais recente da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios. Em todo o país, a taxa de desemprego, segundo o dado de agosto do IBGE, abrange 12,3% da população economicamente ativada. O Brasil tem 12 milhões e 900 mil desempregados.

Reportagem: Narley Resende

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