Ministério Público apresenta denúncia contra Beto Richa

Depois de apresentar denúncia contra o ex-governador do Paraná e candidato ao Senado Beto Richa (PSDB) e outras 12 pessoas, o coordenador do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), Leonir Battisti, afirmou que as investigações da operação Rádio Patrulha continuam e não descarta o oferecimento de novas ações pelos crimes de lavagem de dinheiro, obstrução de Justiça e organização criminosa.

Além de Richa, ainda foram denunciados o irmão e o e ex-secretário de infra-estrutura, Pepe Richa, o ex-chefe de gabinete, Deonilson Roldo, o secretário de cerimonial, Ezequias Moreira, além dos empresários envolvidos no caso. De acordo com a denúncia, o ex-governador, familiares e aliados são investigados pelo direcionamento de licitações e pela cobrança de propina para a contratação das Patrulhas do Campo, veículos e equipamentos utilizados para a manutenção de estradas rurais. O total dos pagamentos efetuados pelo Estado do Paraná às empresas envolvidas no esquema foi de mais de cem milhões de reais.

Considerando a porcentagem prometida de propina, de 8%, o valor das vantagens indevidas recebidas pelos agentes públicos denunciados foi da ordem de oito milhões, cento e cinquenta mil reais. Leonir Battisti afirma que a denúncia se baseia não só no depoimento do delator Tony Garcia, mas também em documentos, gravações e declarações de empresários que confirmam a negociação do pagamento de propina.

Para o coordenador do Gaeco, Beto Richa era o principal destinatário final das vantagens indevidas prometidas pelos investigados e tinha plena ciência das tratativas e reuniões realizadas para efetivação do esquema de corrupção.

O Ministério Público deixou de denunciar a esposa e ex-secretária de desenvolvimento social, Fernanda Richa e o contador Dirceu Pupo, responsável pela administração de empresas da família Richa. Leonir Battisti explica, no entanto, que as investigações não foram totalmente concluídas e que outras denúncias podem ser apresentadas com base em novas provas.

Questionado sobre a decisão do ministro do Supremo Tribunal Federal, Gilmar Mendes, que soltou todos os investigados presos, Leonir Battisti reforçou que a medida contraia a lógica do sistema jurídico brasileiro. O coordenador do Gaeco o recurso contra a decisão pretende consertar um vício de forma e não exatamente o mérito da questão.

A denúncia desta terça-feira (25) foi oferecida à 13 ª Vara Criminal de Curitiba, da Justiça Estadual, e pode ser acolhida ou rejeitada. Se aceita, os denunciados se tornam em réus e passam a responder a uma ação penal. Por meio de nota, a defesa do ex-governador Beto Richa afirmou que a denúncia oferecida pelo Ministério Público, assim como a prisão temporária decretada no dia 11 de setembro, é baseada única e exclusivamente em termos de depoimento de colaborador, “sem qualquer base em provas de suas falaciosas alegações”.

Também diz que permanece a confiança na Justiça e que, em tempo certo, restabelecerá a verdade e a honra da família Richa.

Reportagem: Thaissa Martiniuk

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