Ministra Carmen Lúcia não descarta possibilidade de julgamento nesta terça-feira de habeas corpus de Lula

(Foto: Rosinei Coutinho/SCO/STF )

A nova presidente da 2.ª Turma do STF (Supremo Tribunal Federal), ministra Carmen Lúcia, não descarta a possibilidade de julgar hoje (25) um habeas corpus da defesa de Luiz Inácio Lula da Silva que trata da suspeição do ex-juiz Sergio Moro. O próprio Supremo confirmou, ontem (24), que o julgamento havia saído da pauta após pedido de vista do ministro Gilmar Mendes.

No entanto, por meio de nota, Carmen Lúcia reforçou que julgamentos envolvendo réus presos têm prioridade, independentemente da ordem da pauta. Como hoje (25) acontece a última sessão antes do recesso do Judiciário, se o habeas corpus não for avaliado, ficará pendente até o retorno dos magistrados. Mesmo com a indefinição, manifestantes pró-Lula mantiveram nesta segunda-feira (24) em Curitiba a mobilização prevista para defender a liberdade do ex-presidente. Os manifestantes promoveram atos públicos descentralizados, em pequenos grupos de participantes. Um deles foi realizado em frente ao prédio do Ministério Público Federal (MPF), no Centro da cidade.

O edifício, que abriga as principais unidades da Procuradoria da República no Paraná, fica no lado oposto ao prédio usado pelos procuradores da Lava Jato. Os manifestantes pediam o afastamento do procurador Deltan Dallagnol, coordenador da força tarefa e centro de conversas suspeitas vazadas recentemente e publicadas pelo portal The Intercept Brasil. Os diálogos indicam que o ex-juiz Sérgio Moro, hoje ministro da Justiça, interferiu nas estratégias do Ministério Público Federal para fortalecer a acusação contra Lula.

O conteúdo das reportagens foi anexado por advogados ao habeas corpus que questiona a imparcialidade do juiz. Mas o pedido de suspeição é anterior ao vazamento. Em conversa com advogados na manhã desta segunda-feira (24), Lula pediu que insistissem para que o julgamento seja mantido.

Em petição levada à Segunda Turma do STF, a defesa alega que, por estar preso, e ex-presidente tem prioridade no julgamento com relação a outros processos. Os advogados alegam que réus com mais de 60 anos têm preferência e que o julgamento já havia sido iniciado em 4 de dezembro do ano passado.

Reportagem: Angelo Sfair/ Lenise Klenk