MP defende cárcere privado de Tatiane e pede que Manvailer seja levado ao Tribunal do Júri

O Ministério Público do Paraná quer que o biólogo Luis Felipe Manvailer responda pelo crime de cárcere privado e seja julgado pelo Tribunal do Júri. Ele é acusado pela morte da esposa, a advogada Tatiane Spitzner, de 29 anos, em julho do ano passado, em Guarapuava, região central do Paraná. O Ministério Público apresentou ontem (24) as razões da apelação. A promotoria recorreu da sentença que absolveu Manvailer sumariamente do crime de cárcere privado. Ele responde por homicídio qualificado como feminicídio e fraude processual.

No documento, o Ministério Público afirma que a autoria do cárcere privado está comprovada, especialmente pelas imagens colhidas pelo sistema de monitoramento do edifício em que o casal morava. Elas indicam que Manvailer mantém a esposa em cárcere privado por 19 minutos, desde que eles chegam ao estacionamento do edifício naquela madrugada. Neste momento, o marido desce do veículo e aplica um golpe em Tatiane; a agressão deixa a advogada desacordada e Manvailer segue desferindo chutes contra a esposa.

O Ministério Público também chama atenção para a conduta do réu quando a esposa tenta fugir pelo elevador. Nas imagens, o biólogo puxa Tatiane pelos cabeços e pelo pescoço. A promotoria afirma que Manvailer matou a mulher por asfixia e arremessou a vítima pela sacada do apartamento. O réu alega que Tatiane caiu do quarto andar e a defesa diz que ela se suicidou após a ingestão de antidepressivos e bebida alcoólica.

Antes de abandonar o imóvel, o marido recolheu a esposa e deixou dentro do apartamento. Ele acabou preso depois de se envolver em um acidente de trânsito, quando seguia em direção à fronteira. A defesa também pede a revogação da custódia preventiva.

Reportagem: Lenise Klenk/ Cleverson Bravo