Obras de arte de Lobão valorizaram mais de 1788% para lavagem de dinheiro

(Foto: Wilson Dias/Agência Brasil)

Mais de cem obras de arte de propriedade de Márcio Lobão, filho do ex-senador e ex-ministro Edison Lobão, foram apreendidas durante a nova etapa da operação Lava Jato, deflagrada nesta terça-feira (10).

De acordo com o Ministério Público Federal, algumas obras tiveram valorização de 1788% para venda. Márcio Lobão, segundo as investigações, teria comprado um quadro em junho de 2009 por R$ 45 mil e vendeu por R$ 850 mil. Outra obra teria sido adquirida em 2003 por R$ 120 mil e vendida mais tarde por R$ 500 mil.

Para o procurador da República, Roberson Pozzobon, não havia qualquer motivo aparente para a valorização das pinturas e, por isso, a força-tarefa acredita que os investigados utilizavam os objetos para fazer lavagem de dinheiro.  

Em dez anos, de 2007 a 2017, o patrimônio de Márcio Lobão, conforme o MPF, aumentou de aproximadamente R$ 8 milhões para cerca de R$ 44 milhões. Os investigadores suspeitam que Lobão filho lavou, por meio da compra de obras de arte, pelo menos R$ 10 milhões de toda a propina acumulada. Márcio teria recebido o valor por intermédio de um ex-presidente da empresa de logística no ramo de combustíveis.

A delegada da Polícia Federal, Penélope Leme Gama, explica que as obras foram apreendidas para análise, mas ainda não se sabe se todo o material é fruto de lavagem de dinheiro.

Segundo os procuradores MPF, os investigados nesta etapa ainda utilizaram transações imobiliárias, empréstimo, offshores no exterior e depósito em espécie para lavar dinheiro. A etapa de número 65 da Lava Jato foi batizada de Operação Galeria e remete às transações com obras de arte que foram utilizadas para dar aparência lícita aos valores provenientes de vantagens indevidas.

Reportagem: Thaissa Martiniuk/Angelo Sfair